Em 1963, quando os pais receberam o diagnóstico de hanseníase e tiveram de ser compulsoriamente internados em leprosários, os irmãos catarinenses Roberto e Ana (nomes fictícios) foram imediatamente afastados do restante da família.
"Tínhamos tios vivos, mas não nos deixaram ir para a casa deles. Nos mandaram para um educandário com outras crianças na mesma situação", lembrou Roberto, em entrevista ao G1. Ele ficou no local por dois anos, um a menos que a irmã.
Uma lei federal que vigorou de 1949 a 1986 permitiu que o governo brasileiro segregasse filhos sadios de pacientes com hanseníase em locais conhecidos como preventórios, uma espécie de orfanato para crianças com pais vivos.
Em março de 2015, Roberto e Ana entraram na Justiça do Rio Grande do Sul pedindo à União uma indenização por danos morais, iniciando uma batalha judicial que passaria por três instâncias e levaria quase quatro anos.