Famílias que moravam no bairro Nova Rússia, em Blumenau, no Vale do Itajaí, na área atingida por um deslizamento em 23 de outubro devem
permanecer fora das casas, recomendou a Defesa Civil. Segundo o órgão, a região segue com alto risco de que os estragos voltem a acontecer, como mostrou o Jornal do
Almoço nesta terça-feira (3).
O deslizamento em outubro aconteceu perto das 3h e atingiu quatro casas. Ninguém ficou ferido. Na semana passada, uma
equipe da prefeitura e especialistas japoneses estiveram no local para avaliar a situação, tentar entender o movimento da terra e prever o que ainda pode ocorrer.
"Os indícios são muito fortes de que novos deslizamentos vão continuar acontecendo na área porque tem uma encosta muito alta e uma
declividade muito acentuada com material não consolidado, material de baixa resistência", explicou o diretor de geologia Maurício Pozzobom.
"Se novos deslizamentos de grande magnitude ocorrerem e represarem o rio, com uma represa de altura maior, altura significativa, pode sim ocorrer uma ruptura dessa represa natural e a
evolução em forma de massa enxurrada. Os efeitos vão ser sentidos ao longo de todo o rio do ribeirão Garcia", completou.
'Situação difícil'
Quando aconteceu o deslizamento, o rio que passava atrás da casa do casal Willy e Irene
Wendelich veio para frente. A passagem da água ficou mais estreita por causa dos entulhos, o canal ficou menor, a correnteza ainda é muito forte. Por isso, os dois dizem
que a margem desliza um pouco todos os dias.
Desde que o barro deslizou, Willy volta para o que sobrou da casa todos os dias. Ele não vem para morar, mas buscar o
que não foi destruído pela terra.
"Começa a criar saudade, vontade, esperança. Então, a grande coisa que eu posso dizer que
quem nunca passou por essa situação nem julgue e nem fale. É uma situação difícil", disse.
Marido e mulher foram morar
com o filho. "A pessoa que não era daqui já se emociona, imagina quem morava aqui. Aqui era a minha casa e o meu trabalho. De uma hora para outra, você vê
tudo saindo debaixo dos seus pés. Não é fácil", lamentou Irene.