Uma discussão que se arrasta há 20 anos no Rio Grande do Sul deve ter um desfecho gradual. O governo do
estado confirmou que, em até cinco anos, vai separar o Corpo de Bombeiros da Brigada Militar. A medida é apontada como saída para melhorar o combate a incêndios
no estado. Nesta terça-feira (25), um incêndio na Zona Norte de Porto Alegre expôs novamente a falta de estrutura da corporação.
"Nós queremos esta separação, mas de forma paulatina, com avanços, com experiências para ver o que é o melhor. Nós vamos separar os
Bombeiros da Brigada, mas separar de forma séria, responsável e sólida", garantiu o secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, Airton
Michels.
Bombeiros e polícia militar são separados em 23 estados brasileiros. As exceções, além do Rio Grande do Sul, são
Paraná, São Paulo e Bahia. A desvinculação é um pedido histórico dos bombeiros gaúchos. O assunto veio à tona com sucessivos
incêndios registrados no estado desde o início do ano passado. O mais trágico foi o da boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do estado, em 27 de janeiro
de 2013, que causou 242 mortes. Na ocasião, bombeiros admitiram que faltaram equipamentos e estrutura para combate a incêndios.
Em julho do mesmo ano, uma
ocorrência no Mercado Público de Porto Alegre voltou a expor o problema. Na semana seguinte, a própria corporação reconheceu que a capital gaúcha
tem menos da metade do número de caminhões considerados necessários para combate a incêndios.
Na última terça-feira (25),
mais uma vez bombeiros reclamaram do problema. "Faltou gente, faltou viatura, faltaram escadas mecânicas. Em Porto Alegre, onde deveria haver cinco ou seis, por estudos
absolutamente conhecido pelas autoridades, tem uma escada mecânica que está tentando não deixar o fogo se alastrar", criticou o presidente da
Associação dos Oficiais da Brigada Militar, tenente-coronel José Carlos Riccardi Guimarães, ainda durante a ocorrência.
Em janeiro
deste ano, a Associação dos Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), defensora da medida, recebeu uma moção de apoio do Conselho Regional de Engenharia
e Agronomia (Crea) para que haja a desvinculação. Ao apoiar a iniciativa, a entidade ressaltou que o Corpo de Bombeiros deve ter um quadro específico de engenheiros e
outros profissionais e não somente bacharéis em Direito.
A data para a mudança não foi definida. A reportagem completa sobre o tema
será exibida no RBS Notícias desta quinta-feira (27).