Uma operação integrada entre a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária
Federal, denominada Rota Livre, desarticulou na manhã desta quarta-feira (21) uma associação criminosa de policiais rodoviários federais suspeitos de
corrupção e apropriação de mercadorias apreendidas em Santa Catarina.
Três agentes foram presos e um civil, que se passava por
policial, foi conduzido coercitivamente para delegacia da Polícia Federal de Joinville. As prisões foram feitas em Joinville, Balneário Camboriú e no Posto da
Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Barra Velha, no Norte do estado, onde os crimes eram cometidos.
“Na casa do civil envolvido nos crimes
apreendemos um cone, usado para barreiras na rodovia, e fardas da PRF. Um dos policiais presos já havia respondido pela prática do mesmo crime no estado de São Paulo.
Por isso, inclusive, chegou a ser afastado da PRF, mais tarde, mediante ação judicial, retornou ao trabalho”, afirma o delegado Oscar Biffi.
De acordo com o delegado, o civil envolvido nos crimes era proprietário de uma empresa de guincho contratada pela PRF para atuar na rodovia. “As apreensões de
veículos eram feitas, para que os criminosos lucrassem com o guinchamento”, completa Biffi.
Mercadorias do Paraguai
De acordo com a Polícia Federal, o grupo formado por três policiais rodoviários federais, atuava interceptando e abordando veículos e ônibus de
excursão que trazem mercadorias importadas, vindos de roteiros de compras no Paraguai, a pretexto de efetuar ações de repressão ao contrabando e
descaminho.
Os suspeitos conheciam o horário de passagem dos ônibus pela região de Barra Velha. Nas abordagens, todas as bolsas com compras eram
retiradas do bagageiro, vistoriadas e as mercadorias apreendidas.
As investigações indicaram que os policiais cobravam propina para liberar as
mercadorias ou, dependendo da mercadoria, eles se apropriavam dos produtos para a revenda, sem que fossem encaminhados à Receita Federal e sem a lavratura de documento ou
comprovante ao passageiro.
Investigação
A investigação teve início em 2014, a partir de
denúncias feitas por passageiros lesados à Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal. Concluídas as investigações iniciais, que apontaram
para a prática de irregularidades funcionais e crimes, a Corregedoria da PRF encaminhou toda a documentação para a Polícia Federal.
A
Polícia Rodoviária Federal declarou por meio de sua assessoria de imprensa que participou desde o início da operação Rota Livre e deve continuar
fornecendo documentos e tudo que for necessário para a conclusão do inquérito.
De acordo com a polícia, os envolvidos devem responder pelos
crimes de associação criminosa, concussão ou a exigência de vantagem indevida por parte do servidor público e peculato (apropriação/desvio de
bens e valores da administração). As penas somadas podem chegar a 23 anos de prisão. Além disso, eles serão submetidos a processos administrativos
disciplinares que podem resultar na pena de demissão do cargo.