Enquanto mais de três mil moradores ficaram quatro dias sem luz e água em São Martinho da Serra, na Região Central, a prefeitura emprestou um gerador para um
mercado da cidade. O proprietário do mercado é vereador. As informações são da RBS TV Santa Maria.
Conforme
apuração da repórter Vanessa Backes, o gerador forneceu energia ao mercado do vereador Arani Silva da Trindade (PP) por dois dias, entre a última sexta-feira
(16) e sábado (17). Ele contou que acha certo usar o gerador da prefeitura “se ela não está ocupando”.
“Ninguém estava
ocupando. Será que porque eu ocupei para salvar alguma coisa (dos produtos) que foi dar problema? Eu não prejudiquei ninguém”, se justifica. “Não
peguei nada escondido. Peguei de dia e entreguei na hora que precisaram”.
Durante o período em que o gerador ficou no mercado, moradores buscavam
água para consumo de balde, porque, sem luz, as caixas d’agua não são abastecidas.
O Partido Progressista, legenda do vereador que pegou
emprestado o gerador, é o que governa a cidade. Quem emprestou o equipamento ao mercado foi o secretário de Saúde, Gilson de Almeida.
“Eu
não olhei nessa hora para política, e sim para o benefício da comunidade”, disse. Questionado sobre se o equipamento não poderia ser instalado em um local
público, ele respondeu que “até poderia”.
“Na hora tu não te dá conta. Só que aí eu pergunto: se eu instalo
em um ambiente público, como um posto de saúde, os comerciantes vão começar a levar freezer, o pessoal vai levar freezer para o posto de saúde? Eu acho
que não”.
Depois que a energia foi restabelecida no mercado, o gerador da prefeitura foi trazido para a Escola Municipal Boqueirão, que
já estava há cerca de três dias sem luz e água. Conforme a diretora da escola, Maria Eni da Rosa, as aulas foram suspensas durante o período, pois
“quando falta luz, água, não tem como trabalhar”.
O prefeito de São Martinho da Serra, Ivan Schieffelbein (PP), disse que não
concorda com o empréstimo e que, assim que soube, pediu para que o gerador fosse colocado “a serviço da comunidade”. Ele deve se reunir nesta quarta-feira (21) com
a assessoria jurídica da prefeitura para avaliar se será instaurado um procedimento administrativo contra o secretário de Saúde.
A
Câmara de Vereadores vai abrir uma sindicância para avaliar a conduta do vereador.