Preso em flagrante após a morte de uma
criança e duas adolescentes em acidente na BR-386 em Estrela, na manhã de segunda-feira, o caminhoneiro Helio Fernando da Rosa Amador, 53 anos, foi solto do Presídio
Estadual de Lajeado na tarde desta terça-feira. A magistrada Alba Docelina alega que o homem tem residência e emprego fixos e não possui qualquer
condenação contra ele.
O acidente aconteceu pouco antes das 7h. Parte de um dos eixos do caminhão dirigido por Helio se desprendeu e atingiu quatro
estudantes, moradoras de comunidade indígena de uma tribo caingangue, que aguardavam o ônibus escolar para se deslocar à Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro
Braun, em Estrela.
O delegado José Romaci Reis aguarda perícia no veículo, ainda sem data para ser finalizada, e confirma o indiciamento do
caminhoneiro por triplo homicídio culposo (quando não há intenção de matar):
– Estou interrogando os peritos para que me
respondam se foi um fato surgido na hora ou se o veículo já estava com problema. No segundo caso, o dono da empresa será responsabilizado também, pois mesmo com
defeito o caminhão foi colocado na estrada.
Amador vai responder processo em liberdade. Ele relatou a Zero Hora que dividiu a cela com 13 detentos e que foi bem
tratado enquanto esteve preso:
– É horrível, Deus me livre. Fui bem tratado, mas é um negócio muito horrível. Me deram um
colchão e dormi no chão, estava muito cansado e nervoso. Eles (detentos) falaram que eu não tinha culpa, me pediram para ficar calmo. Nunca tinha me envolvido com nada
antes, estava muito nervoso.
Com três décadas de profissão, Helio levava o veículo vazio. Ele havia saído às 5h de uma
transportadora em Alvorada, na Região Metropolitana, e seguia para Carazinho, onde faria o carregamento com grãos.
O motorista apresentou notas que
mostram que o caminhão havia passado por revisão na sexta-feira. Segundo ele, foram gastos quase R$ 2 mil em troca de óleo, lona de freio e parafuso de roda. Para o
delegado Reis, entretanto, Amador tem responsabilidade nas três mortes e na lesão corporal da menina internada, e se afastou do local sem prestar socorro:
– Tudo que aconteceu em sua volta era sua responsabilidade. O fato dele não ver (que o rodado soltou) não o isenta da culpa. Ele deveria ter visto, e se não viu,
foi negligente. Ele tinha obrigação, como motorista, de observar os defeitos do caminhão.
Morreram Chaiane Soares Lemes, 15 anos, Thaís
Soares Lemes, 11 anos, e Franciele dos Santos Lemes, 14 anos. Elas foram enterradas no final da tarde de segunda-feira, na aldeia. Anelise Soares Lemes, 13 anos, foi levada para o Hospital
Estrela e, segundo a instituição informou às 16h desta terça-feira, permanecia em estado grave.
A prefeitura de Estrela emitiu uma nota e
garantiu que os ônibus irão buscar as crianças e adolescentes dentro da aldeia. Ainda não há uma data para a mudança: "O governo de Estrela se
comprometeu em ampliar a segurança na aldeia indígena em três pontos: transporte escolar passando dentro da aldeia, recolhimento do lixo e mais iluminação
no local".