Após a apreensão de centenas de cheques no escritório do advogado Mauricio Dal Agnol em Passo Fundo, no Norte do
Rio Grande do Sul, a Polícia Federal passará a contatar os destinatários, que nunca foram pagos. Ao cumprir mandados de busca e apreensão da
Operação Carmelina na última sexta-feira (21), a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do homem. O golpe pode ter
lesado mais de 30 mil clientes e ter desviado R$ 100 milhões.
De acordo com o delegado Mauro Vinicius Soares de Moraes, a polícia fará um
levantamento das pessoas que não receberam os valores para iniciar uma nova investigação. Até agora, 27 casos foram confirmados e identificados.
"Encontramos os cheques com valores dele para pessoas, que não foram pagos. Estamos em dúvida para identificar do que se trata. Mas, supostamente, todas essas
pessoas que têm cheques foram lesados. Vamos verificar as providências que iremos tomar", explicou o delegado ao G1.
Procurado pela Interpol, Dal
Agnol teve, além dos cheques, um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões apreendido, além do bloqueio de dinheiro em contas bancárias e imóveis.
Animais selvagens empalhados e munição foram encontrados em um fundo falso de uma parede em sua casa.
Com a revelação, ex-clientes do
advogado buscaram o Ministério Público Estadual e delegacias para se certificar que também não haviam sido lesados. O delegado Moraes orienta, para aqueles que
já tiveram seu processo julgado, que busquem um advogado de confiança para verificar a decisão no Tribunal ou na Justiça de 1º grau.
"Eles precisam buscar esses processos e verificar se o valor recebido é o valor correto. A apropriação indébita, que é pelo o que Dal Agnol
está sendo acusado, significa ficar com o dinheiro do cliente", completou. A orientação vale apenas para clientes que já tiveram seu caso julgado.
O advogado segue foragido nos Estados Unidos. O Jornal Nacional foi até o prédio onde Dal Agnol tem um apartamento, em Nova York, nos Estados Unidos, na tarde
de segunda-feira (24), e o porteiro informou que ele estava no local até a semana passada.
Três investigados pela PF pagam
fiança
Três suspeitos do golpe milionário em Passo Fundo pagaram fiança na segunda-feira (24), de acordo com a 3ª Vara
Criminal do Fórum da cidade gaúcha. No mesmo dia expirou o prazo para que quatro investigados pela Polícia Federal deixassem de ser considerados foragidos.
Ao todo, cinco pessoas são suspeitas do golpe, sendo que Mauricio Dal Agnol, líder do esquema segundo a PF, é o único a ter tido
prisão preventiva decretada. A mulher de Mauricio, Márcia Dal Agnol, depositou R$ 724 mil por meio de advogado. Vilson Bellé e Celi Acenira Lemos pagaram R$ 144 mil
cada um. Já Pablo Geovani Cervi fez uma solicitação ao juiz para substituição da fiança. O pedido está em análise.
De acordo com o promotor Marcelo Pires, também foi pedida a prisão preventiva dos quatro, mas o juiz que analisou a solicitação substituiu pelo pagamento da
fiança. "Se eles não pagarem, pode ser decretado o pedido de prisão preventiva já feito pelo Ministério Público. O pedido inicial foi de que
fosse decretada a prisão preventiva", explicou Pires. "Ele [Dal Agnol] e a esposa estão fora do país", declarou.
A Polícia
Federal informou que apenas uma dessas quatro pessoas entregou o passaporte como havia sido exigido. As outras três não foram localizadas. O advogado Maurício Dal Agnol
segue foragido nos Estados Unidos. Procurado pela Interpol, ele é suspeito de montar o esquema. Dal Agnol teve o registro profissional suspenso na sexta-feira (21) pela Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB).
Entenda
Segundo a Polícia Federal, um grupo de advogados e contadores, comandados por Dal
Agnol, procurava os clientes com a proposta de entrar com ações na Justiça contra empresas de telefonia fixa. Os clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam
a eles uma quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer rapidamente.
Ao cumprir mandados de busca da
Operação Carmelina na cidade do Norte do Rio Grande do Sul na sexta, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do homem.
Além da quantia, animais selvagens empalhados e munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de
US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas bancárias e imóveis.
A Operação Carmelina foi desencadeada na manhã de
sexta-feira em Passo Fundo, no Norte, e em Bento Gonçalves, na Serra. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade
e em uma residência. A operação foi batizada de Carmelina porque este era o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu
de câncer, e poderia ter custeado um tratamento se tivesse recebido o valor da maneira adequada.