Depois de uma ascensão política que o levou do baixo clero à
presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começa a ver o cerco se fechar. Alvo de dois inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal de Justiça (STF),
terá de responder a uma sequência de suspeitas que o tornou um peso para governo e oposição.
Até pouco tempo, o deputado tinha
apoio dos adversários da presidente Dilma Rousseff, dispostos a contar com ele para deflagrar o impeachment dela. Nas últimas horas, chegou a negociar um acordo com
representantes do Palácio do Planalto para salvar o mandato, mas parece ter sido atingido por uma enxurrada.
Nesta sexta-feira, houve torrente de fatos
novos:
- Documentos obtidos pela TV Globo comprovam que o peemedebista e sua mulher têm contas bancárias secretas na Suíça. A
reportagem exibiu cópias do passaporte, da assinatura e de dados pessoais do presidente da Câmara. Há, por exemplo, assinatura dele em papéis relacionados
à conta em nome de uma offshore, a Orion SP.
- Ao pedir o segundo inquérito contra Cunha ao STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que
ele também tem contas nos EUA, igualmente não declaradas. Cunha nega ter depósitos no Exterior desde março, quando depôs na CPI da Petrobras.
- A PGR informou ter ''indícios suficientes'' de que as contas de Cunha no estrangeiro são ''produto de crime''. O procurador-
geral em exercício, Eugênio Aragão (Rodrigo Janot está em viagem aos EUA), pediu o bloqueio dos valores nos bancos suíços.
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Registros do banco Julius Baer mostram que, a partir das informações apresentadas pelo parlamentar, o banco estimou o patrimônio do cliente em um valor 37 vezes superior
ao declarado à Justiça Eleitoral brasileira. Para o Julius Baer, Cunha teria bens de US$ 16 milhões (R$ 61,3 milhões). No Brasil, ele declarou ter
patrimônio de R$ 1,6 milhão em 2014.
- Ao banco, o deputado solicitou que as correspondências fossem enviadas a um endereço de Nova York, nos
EUA. Explicou que ¿mora em um país onde os serviços postais não são seguros¿.
- Cunha é suspeito de ter recebido
propina na forma de horas de táxi aéreo. Os voos teriam sido pagos pelo lobista Julio Camargo, delator da fraude.
Diante de tantas
acusações, uma informação chamou atenção: os advogados de Cunha pediram ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF, que o
inquérito aberto contra ele, mulher e uma filha tramitasse em segredo de Justiça. O pedido não foi atendido.
É por isso que se sabe da
frota de carros de luxo de Cunha e sua mulher, Cláudia Cordeiro Cruz. O casal tem um Porsche Cayenne 2013, um Ford Fusion 2013 e um Ford Edge V6 2013 em nome da empresa Jesus.Com. Em
seu nome, o casal tem um Corolla, outro Porsche Cayene (2010), uma caminhonete Tucson, uma caminhonete Pajero Sport, um Freelander e um BMW. No total, a frota do casal está avaliada
pela Receita Federal em R$ 938 mil.