O nível do Guaíba voltou a subir nesta segunda-feira e atingiu, às 16h40min, a marca histórica de 2m92cm, o maior nível em 74 anos, segundo ténicos
da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH). Autoridades seguem monitorando as águas e alertam que, caso o nível do Guaíba 3m, o Cais Mauá pode ser
alagado.
Como medida de segurança, 13 das 14 comportas do cais foram fechadas na tarde de domingo. A 14ª, acesso principal do Cais Mauá,
será fechada por precaução às 18h desta segunda-feira O acesso à Avenida da Legalidade (Voluntários x Cairú) ficará bloqueado
em função do fechamento dessas comportas.
Em Eldorado do Sul, a situação também é preocupante. Um terço da
área urbana do município está debaixo d'água. Cerca de 18 mil pessoas, metade da população, teve as casas invadidas pelas águas. Pelo
menos 200 pessoas estão abrigadas no Ginásio do Loteamento e mais de 2 mil saíram de suas residências.
Em 1941, ano da maior enchente
já vista na Capital, o volume chegou a 4m76cm, e a água parda e revolta inundou o centro da cidade, assustando a população. Para impedir que a história se
repita, a prefeitura decidiu fechar 13 das 14 comportas do sistema de contenção construído na década de 1970 — parte delas fica junto ao muro da Avenida
Mauá.
A cheia do Guaíba também cancelou a circulação dos catamarãs. Nesta manhã, a Superintendência de Portos e
Hidrovias (SPH) afirmou que o serviço não deve operar durante toda a segunda-feira.
A situação no Estado
Mais de 2,4
mil pessoas contabilizaram prejuízos no Rio Grande do Sul até as 11h desta segunda-feira em função dos temporais dos últimos dias. A lista de atingidos,
segundo a Defesa Civil do Estado, inclui pelo menos 53 cidades, com 3.985 residências afetadas.
Ao todo, devido à cheia de rios e córregos,
mais de 7,6 mil gaúchos foram obrigados a deixar suas casas no fim de semana — 4.180 estão em abrigos e 3.495 ficaram desalojados e recorreram a amigos e
parentes.
No sábado, o governador José Ivo Sartori visitou Santa Maria e conversou pessoalmente com o prefeito Cezar Schirmer sobre os problemas.
Também falou com representantes de cidades vizinhas e externou preocupação.
— A situação é delicada, e vim aqui trazer
a minha solidariedade. Peço que os municípios façam seus levantamentos e nos informem da real situação. É claro que daremos atenção
à região, mas, agora, o momento é de se fazer levantamento, até porque tudo isso é muito rigoroso, é difícil — disse.