O advogado de Passo Fundo investigado por um golpe milionário chamou a
atenção da polícia por conquistar um grande patrimônio em pouco tempo. Além do escritório de luxo e de um avião particular, ele também
é dono de uma mansão localizada na zona nobre da cidade da Região Norte do Rio Grande do Sul, como mostra reportagem do Teledomingo, da RBS TV.
“Chamou atenção alguém que tinha um Fusca 78 e passou para um avião de US$ 8,5 milhões”, disse o delegado da Polícia Federal
Mário Vieira.
Procurado pela Interpol e suspeito de montar um esquema que pode ter lesado mais de 30 mil clientes em R$ 100 milhões, o advogado
Maurício Dal Agnol teve o registro profissional suspenso na sexta-feira (21) pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo a Polícia Federal, um
grupo de advogados e contadores, comandados por Dal Agnol procurava os clientes com a proposta de entrar com ações na justiça contra empresas de telefonia fixa. Os
clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam a eles uma quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer
rapidamente.
Ao cumprir mandados de busca da Operação Carmelina na cidade do Norte do Rio Grande do Sul na sexta, a Polícia Federal encontrou um
total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do homem. Além da quantia, animais selvagens empalhados e munição foram achados em um fundo falso de uma
parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas bancárias e imóveis. O mandado de prisão
preventiva foi concedido, mas ele não foi encontrado porque está nos Estados Unidos, segundo a polícia.
Grupo não repassava valor de
ações a clientes
A Operação Carmelina foi desencadeada na manhã de sexta-feira em Passo Fundox, no Norte, e em Bento
Gonçalvesx, na Serra, a partir de uma investigação que comprovou o desvio de pelo menos R$ 1,6 milhão de 27 pessoas.
Foram cumpridos oito
mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade e em uma residência. A investigação aponta que o grupo captava clientes e
entrava com processos contra empresas de telefonia para reivindicar valores referentes à propriedade de linhas telefônicas fixas. As ações eram julgadas
procedentes, mas o valor recebido não era repassado aos clientes ou era pago em quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação.
Para
um dos responsáveis pela investigação, o advogado acumulou de uma das maiores fortunas do Rio Grande do Sul a partir do golpe. “O que mais nos chamou
atenção é que muitas vítimas eram pessoas humildes. pessoas idosas que precisavam desse dinheiro até para sua manutenção. E o
patrimônio desse sujeito é extremamente elevado. Hoje ele é dono de uma das grandes fortunas do estado”, detalhou delegado Mauro Vinicius Soares de Moraes.
A operação foi batizada de Carmelina porque este era o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de
câncer, e poderia ter custeado um tratamento se tivesse recebido o valor da maneira adequada.