Com granizos,
tornados, enxurradas e furacões, Santa Catarina é um estado que registra bastante fenômenos climáticos que podem resultar em desastres naturais. A tecnologia
é aliada para tentar prevenir tragédias, como mostrou a última reportagem da série "Desafios do clima", neste sábado (3).
Um dos últimos investimentos é o site AlertaBlu. Os profissionais que trabalham lá transformam as informações meteorológicas em alertas para quem
mora onde alaga ou desliza em Blumenau, no Vale do Itajaí.
A vantagem é a precisão. A meteorologista-chefe do site, Francine Sacco, explica que
"a gente consegue então dividir o município em grandes áreas e colocar o Norte do município em alerta e o Sul continua tranquilo".
Novo centro de monitoramento
A Defesa Civil de Santa Catarina começou a pensar mais em prevenção nos últimos cinco
anos. E, em breve, vai funcionar em novo local em Florianópolis.
No Centro de Monitoramento e Alerta, vão trabalhar todos os profissionais que
atualmente só se reúnem na hora dos desastres. O prédio faz parte de um projeto de prevenção para todo o estado para os próximos dois anos.
O radar de Lontras, também Vale do Itajaí, é rápido e mostra tudo com detalhes. Porém, já parou de funcionar quatro vezes e deixa
23% do estado descoberto.
O governo prometeu que no próximo mês abre licitação para um outro radar em Chapecó, no Oeste catarinense.
E um terceiro pode ser instalado em parceria com o Rio Grande do Sul.
Outros jeitos de ficar atento ao clima são satélites, sensores de raios e
estações que monitoram temperatura, ventos e nível dos rios. São 316 no estado.
Mesmo assim, há locais descobertos, segundo o
hidrólogo Ademar Cordero. "Por exemplo, na Bacia do Benedito, nós temos três estações. A bacia é muito grande e nós temos que dizer
'bom, o que chove nesses três pontos chove na bacia inteira' e isso não é verdadeiro".
Obras
Uma das armas mais potentes contra desastres são obras. O estado está recebendo mais de R$ 1 bilhão pra minimizar os prejuízos, principalmente no Vale do
Itajaí.
O operador da barragem de Ituporanga, no Vale do Itajaí, Diogo Lenzi registra o nível do Rio Itajaí do Sul duas vezes por dia.
Em seguida, ele manda as informações pra Defesa Civil em Florianópolis.
"Para ver se há necessidade ou não de fechar. Essa ordem
vem deles, no caso, a gente só alimenta as informações para eles", explica.
Alguns técnicos fazem cálculos manuais com base
nas informações que recebem de cada cidade. Não existe um protocolo para operação das barragens.
A ideia é instalar um programa
de computador. Ele vai monitorar os rios e prever as áreas atingidas.
"Você vai conseguir ter o momento certo do fechamento, o momento certo da abertura
com base no índice pluviométrico e também na umidade que o solo tem decorrente do tempo de chuva naquela região", diz o secretário-adjunto da Defesa
Civil do estado, Rodrigo Moratelli.
Planos
Conhecer os pontos fracos é importante. Dos 295 municípios catarinense,
82 cidades pediram para o serviço geológico do Brasil levantar as áreas de risco. Assim não precisam pagar por esse serviço tão caro. Outros 77
municípios já têm o estudo em mãos.
As cidades também têm o dever de criar um plano para as horas de sufoco, com
informações como onde ficam os abrigos, quem vai trabalhar neles, qual a função de cada um, quantas máquinas estão disponíveis, etc.
Só que atualmente menos de 10 se planejaram.
Todas as informações vão para outro programa de computador. Vai facilitar o comando das
operações na Defesa Civil e cada pessoa vai receber orientações do que fazer.
Nesse caso, o celular é um aliado. "Se tem uma
cheia ocorrendo nesse momento, na cidade tal, na área tal, vai o levantamento, você consegue gerar um SMS já georreferenciado para o cidadão, além dos
aplicativos móveis, sites e das mídias sociais", diz Rodrigo Moratelli.
Verba
O novo Centro de
Monitoramento e Alerta e todas as ações de prevenção vão custar R$ 25 milhões para o estado.
"Em todos esses estudos
das bacias hidrográficas catarinenses, para você estabelecer obras estruturantes de proteção ao cidadão, tem também o estudo do potencial de energia
elétrica disso", conta o secretário de estado da Defesa Civil, Milton Hobus.
A ideia é que "parte dessa geração de
energia, de todo esse diagnóstico que nós estamos fazendo, fique para o fundo estadual da Defesa Civil".
A Defesa Civil de Santa Catarina é uma
das únicas do Brasil com Fundo de Reserva.