A Polícia Federal está
à procura, na manhã desta sexta-feira, de um advogado e proprietário de um dos maiores escritórios de advocacia de Passo Fundo, no norte do Estado. Mauricio Dal
Agnol é suspeito de articular uma quadrilha que se apropriou de R$ 1,6 milhão de indenizações que clientes deveriam receber após vencerem
ações judiciais. Os agentes cumprem oito mandados de busca em escritórios e em uma casa.
Com a ajuda da mulher, Márcia Fátima da
Silva Dal Agnol, do advogado Pablo Geovani Cervi, e de mais duas pessoas, Vilson Belle e Celi Acemira Lemos, o advogado teria enganado pelo menos 27 pessoas. Conforme a denúncia do
Ministério Público, eles se apropriavam da totalidade ou de parte dos créditos dos clientes sem que eles soubessem, tendo entre as vítimas pessoas idosas e
doentes.
A Polícia Federal começou a investigar o caso depois que alguns clientes descobriram o esquema e ingressaram na Justiça com
ações de prestação de contas, indenização e ressarcimento contra o advogado. Todos haviam procurado Dal Agnol ou seu escritório para tratar
de ações contra a Brasil Telecom, antiga Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), uma das principais áreas de atuação do
profissional.
No final da década de 90, Dal Agnol passou a captar clientes de todo o Estado visando propor ações judiciais contra a empresa e
ganhou fama em Passo Fundo. Os processos buscavam ressarcir clientes que teriam sido lesados pela companhia. Com a vitória das ações, segundo a denúncia, o
advogado teria se apropriado de algumas indenizações, não informando aos clientes o real valor que deveriam receber da empresa.
A prática
criminosa, conforme o Ministério Público, teria se tornado corriqueira. A investigação revelou que Mauricio era o articulador do esquema e contava com ajuda da
mulher para administrar os valores das apropriações indébitas.
Cervi, o outro advogado do grupo, auxiliava na captação de clientes e
dava informações desconexas às pessoas que buscavam informações sobre suas indenizações. Já Belle e Celi eram os responsáveis
por aliciar novos clientes, e cabia a Celi realizar os pagamentos em valores inferiores aos devidos.
Nesta investigação, foram relatados 27 casos de
apropriação indébita, sendo seis deles com vítimas idosas ou doentes, que somam R$ 1,6 milhão. Pela quantidade de ações judiciais que ainda
tramitam contra o advogado, a polícia acredita que o número de vítimas do esquema seja ainda maior.