Passava da 1h desta quinta-feira, quando
quatro amigos que assistiam ao jogo do Grêmio no Bar do Jair, tradicional ponto de encontro de torcedores para acompanhar partidas de futebol em São José do Herval,
saíram do local e pegaram a BR-386 em direção à vizinha Soledade. Três quilômetros depois, a Pajero em que estavam saiu da pista e capotou,
lançando os ocupantes para fora da caminhonete. Dois morreram no local — um deles, o filho caçula de Ortelino Nicolau, o maior ganhador individual da história da
Mega-Sena.
Cristiano Nicolau, 27 anos, vestia a camisa do goleiro tricolor Marcelo Grohe. Era ele quem dirigia o veículo, uma caminhonete Pajero. Morador de
Porto Alegre há cinco anos, desde que a família saiu do aperto financeiro para se tornar milionária, o jovem estava no município de 2 mil moradores do Vale do
Taquari para cuidar de negócios. Pai, mãe e irmãos sairiam de férias.
— Encontrei o Cristiano às 17h45min na frente da
lotérica. Ele ainda brincou e disse: "A família nunca pode viajar toda junta, se dá um acidente de avião não sobra ninguém" —
contou o comerciante Juarez Rogério, 58 anos, casado com uma prima do jovem.
No começo da noite, a família havia embarcado no aeroporto Salgado
Filho rumo a Milão, na Itália, onde iniciaria um passeio pela Europa. Incomunicáveis dentro da aeronave, pais e irmãos só souberam do acidente 10 horas
depois, ao desembarcarem na cidade italiana.
A família não irá nem deixar o aeroporto. Nas próximas horas, retorna em um voo a Porto Alegre,
com chegada prevista para a manhã de sexta-feira.
Durante a viagem, a administração do frigorífico reinaugurado em maio pela
família em São José do Herval ficaria sob comando de Cristiano. A Indústria de Alimentos da Serra é apenas uma das atividades dos Nicolau, que, em Porto
Alegre, investem em imóveis e, em São Lourenço do Sul, possuem plantação de soja e produção de gado.
O
velório está marcado para as 15h no Salão Paroquial São José do Herval. O enterro será na sexta-feira, às 16h, no cemitério municipal
da cidade.
Amigo de infância de Cristiano e companheiro de torcida pelo Grêmio, Giba de Borba, 30 anos, estava na carona da caminhonete e também
morreu no acidente. Ele trabalhava na Floricultura Borba, administrada pela família.
Os outros dois ocupantes do veículo, os irmãos Carlos Alexandre
da Silva, 26 anos, e Jeferson da Silva, 24, ficaram feridos e foram encaminhados a hospitais de Soledade e de Passo Fundo.