Um homem se apresentou à Polícia Civil na noite de domingo e confessou ter assassinado a sogra e o cunhado, de 10 anos,
em Ijuí, no noroeste do Estado. De acordo com a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) do município, delegada Jocelaine Aguiar, que investiga
o caso, o crime aconteceu no sábado. A polícia só ficou sabendo do duplo homicídio pela confissão do próprio suspeito.
Em
depoimento na delegacia, Davi de Lima Shelsky, 27 anos, contou que ele e a mulher, que não teve o nome divulgado pela polícia, chegaram na casa da sogra Marilei Batista
Fernandes, 43 anos, juntos. Shelsky alegou que se descontrolou após discussão com a mãe da mulher e a atacou com golpes de faca. O homem ainda matou a facadas o cunhado
de 10 anos, identificado como Samuel Batista Fernandes.
– Ele (Shelsky) afirmou que agiu sozinho e que a mulher teria ficado em estado de choque. Os dois
passaram a noite de sábado e o dia de domingo juntos, até que decidiram com familiares se apresentar à polícia – conta a delegada Jocelaine.
O delegado de plantão Nelson Burille, que recebeu o casal, liberou o homem para responder em liberdade. Burille não explicou os motivos para soltar Shelsky,
apesar da admissão do duplo homicídio, e disse que não daria declarações devido à determinação da Associação dos
Delegados do RS (Asdep) de não passar informações à imprensa em virtude do parcelamento de salários.
A delegada Ana Paula
da Silva, titular da 26ª Delegacia Regional de Polícia, que abrange o município, também se negou a falar pela mesma razão. Procurada pela reportagem, a
assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que apenas os delegados podem repassar informações sobre inquéritos.
De acordo com a
delegada Jocelaine, a investigação tentará ouvir outras testemunhas do fato, conhecidos e parentes da família para dar sequência ao caso. Segundo o
promotor de justiça Érico Fernando Barin, diretor das promotorias de Ijuí, o Ministério Público entrou em contato a Polícia Civil local e, a partir
daí, foi pedida a prisão preventiva de Shelsky e da mulher.
Conforme Barin, que está substituíndo o titular da 1ª Promotoria
de Justiça Criminal, Valério Cogo (em férias), as autoridades receberam informações de que um grupo estaria se organizando para linchar o casal.
– Além da necessidade de garantir a ordem pública e a integridade dos dois, representei pela prisão preventiva em razão da gravidade do
crime, para garantia de cumprimento da lei, evitando que eles fujam, e para conveniência da futura coleta de provas do caso. Agora, está na mão da Justiça. Mas
tenho fé de que o pedido será concedido – explicou Barin.
O promotor afirmou ainda que, do ponto de vista formal, a decisão do delegado
plantonista está dentro da autonomia de sua função, porque não houve flagrante, mas acrescentou que o MP discorda da decisão em si:
– Pela gravidade do fato, um duplo homicídio, com a morte de uma criança, ele (o delegado) poderia perfeitamente ter pedido a prisão, o que poderia ter sido
resolvido durante o próprio plantão. A libertação ofereceu uma série de riscos à investigação e até mesmo à
segurança dos suspeitos – comentou Barin.