Em entrevista a Rádio Colonial na
manhã desta segunda-feira (14) o comandante da 3ª Cia do 4º Batalhão de Polícia de Área de Fronteira (BPAF) da Brigada Militar, Tenente Eduardo
Albuquerque, disse que o déficit no efetivo é o maior gargalo da corporação. Uma cidade do tamanho de Três de Maio deveria ter hoje, no mínimo, uma
tropa de 60 Policiais Militares (PM’s).
O déficit no efetivo da Brigada Militar (BM) atingiu um recorde negativo histórico em todo o Estado.
Conforme número informado pela própria Brigada Militar, o efetivo total da corporação conta hoje com apenas 20.542 policiais militares. Falta quase metade
(44,56%) dos 37.050 previstos por lei estadual, a maior diferença desde 1975. O contingente atual é também o menor desde 1982, quando havia 20.207 brigadianos na ativa
no Estado. Combinado com a proibição de nomeações, o elevado número de aposentadorias tende a exaurir ainda mais a força da
corporação.
Ao mesmo que o número de policiais na rua diminuiu, os bandidos se tornam mais audaciosos. Em Três de Maio, as ocorrências
policiais deixaram de registrar apenas arrombamentos. Nas últimas semanas, vários estabelecimentos comerciais já foram assaltados no município. Até a
rodoviária da cidade já foi assaltada. Uma única casa lotérica, localizada na rua Padre Cacique, foi alvo de criminosos por duas vezes em 15 dias.
Enquanto o quadro de pessoal da BM retrocedeu a níveis de três décadas atrás, a população do Estado cresceu 42% de lá para
cá, um salto de 7,9 milhões para 11,2 milhões de habitantes, conforme o IBGE. Diante da crise financeira, com projetos do governo para enxugar gastos também na
segurança, associações da categoria apontam que o número de PMs para proteger a população tende a cair mais.