A empregada doméstica Nelci de Almeida e Silva, que trabalhava na casa de Odilaine e Leandro Boldrini em 2010, quando a patroa teria supostamente se suicidado
mudou a versão dada em depoimento na época. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, ontem ela afirmou que viu uma arma no cofre da família no dia da morte da
mãe do menino Bernardo Boldrini.
— No dia da morte dela, era tarde da noite quando ele (Leandro) veio em casa. Ele abriu o cofre, eu vi uma arma
lá — afirmou, justificando que não mencionou a informação no primeiro depoimento à polícia porque tinha medo.
Em
2010, Leandro negou, em depoimento, que tivesse uma arma. Este ano, um laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) do RS ficou pronto e atestou não ser possível
identificar se a bala que matou Odilaine saiu do revólver encontrado no local que ela morreu.
Nelci lembra o que viu naquele dia na casa dos patrões, pouco
antes da morte de Odilaine:
— Eles iam assinar o papel do divórcio. Começaram uma discussão, a se ofender.
Segundo
Nelci, Leandro, então, saiu para trabalhar. Mas, antes, teria deixado um recado:
— Que, se acontecesse alguma desgraça naquele dia, eu chamasse o
191, 193, porque ele estava cansado de chantagem.
Nelci diz que, no momento da discussão, Odilaine ficou transtornada. Antes de sair para conversar com Boldrini
no consultório do médico, porém, teria ficado mais calma e dito à empregada que ficasse tranquila.
Há cerca de um mês, o
corpo de Odilaine foi exumado. Os restos mortais estão sendo periciados. A carta de despedida também será analisada. Mais de 30 pessoas já foram ouvidas nesse
novo inquérito, que ainda não foi concluído.
Um irmão de Odilaine também conversou com o Fantástico e contestou a carta de
suicídio que teria sido escrita pela mãe de Bernardo.
— Não acho (a letra) parecida. Quiseram fazer parecida — afirmou Flávio
Campos, irmão de Odilaine por parte de pai.
Ele disse ainda que não podia entrar em contato com o sobrinho porque Leandro não deixava.
Flávio não acredita que a irmã tenha se suicidado:
—Ela jamais ia deixar meu sobrinho órfão, jamais.