A filha do casal de idosos resgatado com vida após o desabamento de uma casa em Videira, no
Oeste catarinense, nesta terça-feira (8), contou à RBS TV o momento da queda. "Na hora que eu acordei e vi a casa desabando, levei aquele susto. Não sabia o que
fazer", diz Glicélia Patrícia Costa, que mora em uma residência ao lado dos pais.
Glicélia diz que tentou buscar o número do
Corpo de Bombeiros, mas não conseguiu encontrar. Ela ligou para uma vizinha, que imediatamente acionou os oficiais. "Depois que ela ligou, eles chegaram rápido",
lembra.
O desmoronamento ocorreu por volta das 2h20 de terça-feira (8), no bairro De Carli. A chuva e o vento forte que atingiram a região
fizeram a estrutura desabar e descer por um barranco, e só parou ao bater em uma árvore, segundo os bombeiros.
O homem, de 78 anos, e a mulher, de 61, foram
retirados dos escombros e levados conscientes para o Hospital Divino Salvador. Não havia mais ninguém na casa no momento do acidente.
"Pelo menos meus
pais saíram vivos dessa. Eles têm sete vidas, porque tudo que acontece com eles, eles sempre saem bem", diz a filha.
Interditada desde
2013
A casa ficava em um terreno bastante acidentado, na beirada de uma ribanceira, segundo os bombeiros. "Foi interditada em 2013 e demolida pelos
próprios filhos. Eles começaram a ganhar aluguel para morar em outro local, mas depois a própria família reconstruiu clandestinamente no mesmo lugar",
afirma o coordenador municipal a Defesa Civil, Dinilso Gaio.
Segundo ele, a suspeita é de que a estrutura não tenha suportado o peso da casa, por ter
sustentação inadequada. "Era um casebre, a madeira não tinha condições de suportar", afirmou Gaio.
A Defesa Civil deve
fazer uma perícia na área, para tentar entender o que causou o desabamento e isolar novamente o terreno.
Vento forte e granizo
Pelo menos 19 cidades de Santa Catarina tiveram problemas por causa de vento e granizo entre segunda e terça-feira, segundo a Defesa Civil estadual. O
município de Campo Erê, localizado no Oeste catarinense e com aproximadamente 10 mil habitantes, teve cerca de mil casas atingidas pelo granizo.
Por
cerca de 10 minutos, as pedras de gelo quebraram os telhados e trouxeram prejuízos para moradores de praticamente todos os bairros da cidade.
Uma força-
tarefa envolvendo equipes do Corpo de Bombeiros, prefeitura, Defesa Civil e Polícia Militar auxiliou os atingidos. Cerca de 600 lonas foram entregues no ponto fixo de
distribuição, no quartel dos Bombeiros. Outras foram distribuídas de casa em casa por equipes de apoio.
Também no Oeste, Caçador teve
ao menos 50 casas destelhadas por causa de um vendaval que atingiu a cidade por volta das 23h30.
De acordo com os dados registrados pela estação
meteorológica da Epagri/Ciram, o vento chegou a 82 km/h na cidade. O vendaval trouxe mais prejuízos aos moradores dos bairros Martelo, Santa Catarina e Gioppo.
Sul e Serra
O Sul e a Serra do estado também registraram vento forte na noite de segunda-feira. As estações
meteorológicas da Epagri/Ciram nessas regiões marcaram 105 km/h em Laguna e 91 km/h no Morro da Igreja.
Segundo os meteorologistas, apesar da
velocidade, o vento forte nestas regiões é mais comum por causa da topografia. Os bombeiros das duas regiões informaram que não houve qualquer registro de
ocorrência de estragos.