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17/02/2014 | 05:55 | Geral

Deu pânico, recorda sobrevivente de naufrágio em Porto Xavier, RS

Acidente matou três pessoas há uma semana na Região Noroeste

Acidente matou três pessoas há uma semana na Região Noroeste
Família de Juarez se salvou do naufrágio no RS (Foto: Reprodução/RBS TV)
O naufrágio que deixou três vítimas no Rio Uruguai, em Porto Xavier, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, serve de alerta para os cuidados que devem ser tomados antes de embarcar nesse tipo de passeio. José Juarez Castro Marques é um dos sobreviventes do acidente que ocorreu há uma semana e contou ao Teledomingo os momentos de tensão vividos na embarcação.
Juarez estava com a esposa e duas filhas. A família dele se salvou, mas outros três passageiros morreram. “Não existe volta para essas vidas, mas nós vamos nos conscientizar e fazer a coisa certa. Foi um acidente, mas poderiam ter sido tomadas providências diferentes para ter evitado isso. Tem que se conscientizar que são os meios de segurança que podem salvar uma vida. Tu só vê isso quando se passa contigo”, afirma o sobrevivente.
Juarez recorda do momento em que a tempestade começou. “Começou a se armar um temporal para o lado da Argentina e nós pensamos que ia dar tempo de voltar. Quando eu vi, o vento veio por trás e começou a bater. A mulher do Sidney (piloto) disse para ele parar, mas quando ele diminuiu, já querendo embicar para o porto, veio a onda e encheu o bico do barco”
Os sobreviventes dizem que a embarcação que naufragou no Rio Uruguai tinha coletes salva-vidas para todos os passageiros, mas a legislação não obriga que as pessoas dentro de um barco estejam usando o equipamento. Quando o naufrágio aconteceu, apenas uma criança estava de colete. “Ele (Sidney) gritou ‘coloquem os coletes, por favor, não quero que ninguém morra, coloquem os coletes’, mas daí já deu todo aquele pânico”, explica.
Cuidados devem ser redobrados
Carlos Henrique Zampieri, delegado da Capitania dos Portos de Porto Alegre , explica que é preciso estar atento a uma série de cuidados ao programar um passeio de barco e indica quais os aspectos que exigem maior atenção.
"Primeiramente, é necessário saber das condições da embarcação desde o início, antes de embarcar. Saber se aquela embarcação reúne as condições mínimas de segurança, como extintores de incêndio na validade e coletes salva-vidas em quantidade suficiente. Além disso, talvez o mais importante seja conhecer o tempo, saber a previsão do tempo e o que nos espera nas condições climatológicas”, acrescenta.
“Em um dia de ventos fortes e água agitada, a recomendação é evitar a navegação. As ondas nos rios podem chegar a mais de um metro de altura. Foi o que aconteceu em Porto Xavier, segundo as testemunhas", diz o delegado. Se houver uma mudança repentina no tempo, Zampieri explica que a recomendação é navegar na mesma direção do vento. “Desacelerar o barco deixa cada vez mais a embarcação exposta às condições de meteorologia”.
As causas do naufrágio em Porto Xavier estão sendo investigadas pela Marinha, que fiscaliza a navegação. A delegacia mais próxima da Capitania dos Portos fica em Uruguaianax, a cerca de 365km de Porto Xavier. São 40 militares para atender 79 municípios da região. O prazo para a conclusão do inquérito é de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais um ano.
A Operação Verão, que intensifica a inspeção náutica no estado, terminou neste domingo (16). Foram 1,6 mil barcos fiscalizados nos últimos dois meses. Durante o período de vistorias, 161 condutores foram multados por descumprir a lei de segurança do tráfego aquaviário e 34 embarcações foram apreendidas. O principal objetivo da ação, no entanto, é orientar todos que usam embarcações para o respeito que se deve ter pelas águas.
Fonte: G1
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