Heber Daniel
Rodriguez, pai da modelo Mariana Livinalli Rodriguez, 25 anos, morta nesta quinta-feira (3) em acidente com ônibus na Avenida Faria Lima quando andava de bicicleta, afirmou na
manhã desta sexta-feira (4) no Instituto Médico Legal (IML) Central que faltam segurança e estrutura para as ciclovias da cidade de São Paulo. O acidente ocorreu
fora da ciclovia, em um cruzamento, perto da ciclovia na Faria Lima. O pai afirmou que Mariana "era um anjo" e o momento "é de extrema dor".
"Pelo que eu vi essas ciclovias, a parte que eu conheço de São Paulo, já que eu já estive em julho vendo a minha filha em uma peça, eu fiquei
horrorizado com essas ciclovias. Com a falta de segurança e de estrutura necessárias para que elas existam. Acho que tem que ter muito além do que pintar uma faixa na
rua e achar que isso é suficiente", afirmou.
"Não quero achar culpado. Não é a nossa vontade. Não vai trazer a minha
filha de volta, mas foi negligência". O pai disse que não chegou a ir ao local do acidente e que não está a par dos novos passos da
investigação.
O pai chegou ao Instituto Médico Legal (IML) Central, onde está o corpo da filha, no início da manhã desta
sexta-feira (4) com um pequena sacolinha de roupas.
"Na vida, um pai jamais está preparado para enterrar um filho. A lei da vida é assim. A gente
espera sempre que os pais vão antes que os filhos. Então, você imagina como eu como pai e a mãe dela, as nossas famílias, se sentem em momentos como esse.
É de extrema dor. Um momento que não tenho palavras para descrever", disse.
Ele confirmou que a jovem será velada e enterrada na cidade de
Soledade, no interior do Rio Grande do Sul. "Uma perda tão trágica, de forma tão forte. Desculpe usar o termo, mas tão estupido como esse". E
completou: "Que sirva o que aconteceu com minha filha para que sejam tomadas as providências necessárias".
Sobre a filha, o pai resumiu. "A
Mariana era um anjo". Ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas desde terça-feira (1º) e sofreu traumatismo
craniano.
Acidente
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a ocorrência aconteceu no cruzamento da
Rua Chopin Tavares de Lima com a Faria Lima. A ciclovia da Faria Lima cruza esta rua, onde há um semáforo.
Em nota, a CET lamentou o acidente e disse
aguardar "investigação da Polícia para esclarecer as circunstâncias". Segundo a companhia, para os ônibus que trafegam na Faria Lima, no sentido
Itaim/Pinheiros, é permitida a conversão à esquerda para a Rua Chopin Tavares de Lima.
"Esse cruzamento é controlado por
semáforo, com um foco específico para conversão de ônibus à esquerda e outro específico para ciclistas. A ciclovia fica no canteiro central da Av.
Brigadeiro Faria Lima", disse a CET na nota.
A estudante de jornalismo Andreia Barros estava saindo do dentista quando houve o acidente. Segundo ela, a ciclista
estava fora da ciclovia e cruzou a avenida quando o semáforo estava fechado para bicicletas e pedestres. Andreia enviou uma foto ao G1.
Já segundo a
estudante de direito e assistente jurídica Karina de Jesus Bezerra, que testemunhou para a polícia sobre o acidente, a modelo vinha pela ciclovia e estava sem capacete. Karina
disse que estava no ônibus sentada atrás do banco do motorista e viu quando o semáforo abriu para o ônibus atravessar a Faria Lima.
"Como é um cruzamento, o ônibus estava atravessando, e ela não reparou. Ela bateu na lanterna do lado esquerdo da frente do ônibus", afirmou.
Karina disse que ligou para a polícia e o resgate chegou rápido. "A moça estava inconsciente." Segundo ela, o motorista e o cobrador do
ônibus ficaram muito abalados. "O motorista chorou."
De acordo com o delegado que investiga o acidente, peritos afirmam que o motorista não cometeu
nenhuma irregularidade e parou para socorrer a jovem. Eles disseram que que ela não deve ter percebido o semáforo fechado para ela.
'Jovem
promissora'
A JOY Model, agência onde a modelo trabalhava, lamentou a morte de Mariana nas redes sociais e disse ela passou por procedimentos
cirúrgicos, porém não resistiu aos ferimentos. Na mensagem, a agência diz que a jovem era uma profissional gentil, amável e promissora, além de ser
humano iluminado.
Mariana era de Soledade, no Rio Grande do Sul, onde mora sua família. Adriana Livinalli, mãe de Mariana, disse que a filha morava
há dois anos em São Paulo, no bairro de Pinheiros. Ela começou a trabalhar como modelo por volta de 15 anos. Com 17, se mudou para a Ásia. Ela é modelo da
agência JOY Model Management.
Entre outros trabalhos, foi duas vezes capa da revista Women's Health, fez editoriais das revistas Boa Forma, Nova, fez campanha
para a C&A, e, recentemente, para a Monange.