Um
novo golpe vem causando prejuízos a agricultores no interior do Rio Grande do Sul. Uma mistura com cacos de tijolos, telha e restos da construção civil está
sendo vendida no campo como se fosse fertilizante, como mostrou uma reportagem do RBS Notícias.
A ouvidoria da Assembleia Legislativa gaúcha gravou
imagens da compra do adubo falsificado. A carga de fertilizante foi adquirida em uma agropecuária em Arroio do Meio, a 115 km de Porto Alegre. Foram 10 sacos de adubo, por R$
550.
Na nota fiscal emitida pela empresa consta a descrição do adubo, que é padrão. Cinco sacos têm uma numeração, e
outros cinco constam com outra. Os números representam a quantidade de nitrogênio, fósforo e potássio, que formam a composição química do
verdadeiro adubo. Mas os funcionários da ouvidoria da Assembleia Legislativa conferiram a carga.
O adubo foi levado para a Fundação de
Ciência e Tecnologia do estado. Os químicos chegaram a uma conclusão impressionante.
“Não é adubo. Em cima do nosso laudo e
nossa análise não é adubo. Pode ser calistra, resto de construção civil”, diz o químico Guilherme Alfredo Noschang.
Para
enganar o consumidor, os golpistas utilizam embalagens de marcas famosas. E fornecem até uma etiqueta indicando a composição do adubo. Só que não passa de
uma fraude.
Segundo a ouvidoria, os criminosos usam empresas de fachada, alugam barracões no interior do estado para estocar o produto e abastecem o
comércio.
“Como isso não é adubo e não é fertilizante, seja lá o que for, evidentemente que a colheita [do produtor]
será menor. Vai ter quebra de safra, não há dúvida nenhuma”, aponta Daiçon Maciel da Silva, da Fundação de Ciência e Tecnologia
do estado.
Em Estrela, no Vale do Taquari, o presidente do Sindicato Rural denunciou que comprou 6 mil sacos de adubo para os associados, mas os agricultores reclamaram
do fertilizante.
"Eles têm vários anos de experiência, eles trabalham com varias marcas de adubos e fertilizantes, então eles
suspeitaram pela qualidade desse fertilizante", aponta Rogeiro Heemann.
As empresas envolvidas na venda de adubo falsificado vão ser denunciadas ao
Ministério Público e à Policia Civil. O ouvidor da Assembleia vai entregar as provas na terça-feira (1º)
“Uma fraude violenta
contra o produtor rural, do pequeno ao grande. Também vamos encaminhar para Procuradoria Federal para que tome as devidas providências e encaminhe inclusive prisao desses
indivíduos”, diz o deputado Marlon Santos, do PDT.
O dono da agropecuária onde a ouvidoria comprou o adubo falso, Josiano Schwarzer, disse que
vai colaborar com as investigações. Ele afirmou que já tinha desconfiado da qualidade do produto, depois de receber reclamações de vários clientes,
e inclusive suspendeu as compras do fornecedor do produto.