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28/08/2015 | 11:18 | Geral

Agricultor guarda anotações desde 1968

Hábito de anotar dados em cadernos virou rotina e rendeu boas experiências para o produtor de Coronel Barros/RS

Hábito de anotar dados em 

cadernos virou rotina e rendeu boas experiências para o produtor de Coronel Barros/RS
Neto e filho de produtores rurais, Amaury Marcks, 78 anos, herdou o amor pela agricultura. “Meu pai tinha 10 anos de idade, em 1913, quando veio com meus tios e avós de Santa Maria para o município de Coronel Barros, ambos no Rio Grande do Sul”, conta. Com apenas cinco anos de idade, Amaury já estava acostumado ao dia a dia do campo. Ele e o primo saíam de madrugada, na baixa temperatura do Rio Grande do Sul, e caminhavam 200 metros até o engenho para colher cana e ajudar na fabricação das cachaças de seu pai, que também plantava 10 hectares com ervas. Familiarizado com diversas culturas e com o pai menos disposto para o trabalho de campo, Amaury tomou a frente do negócio da família. “ Comecei criando porcos, mas já plantei cebola, feijão, criei gado, entre outras atividades. Dentro do agronegócio já experimentei de tudo”, conta Amaury Marcks.
Coronel Barros é um pequeno município com 2.459 habitantes, se estende por 163 quilômetros quadrados, e está situado a 15 quilômetros de Ijuí - a maior cidade nos arredores. Argemiro Luís Brum, professor na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI), colaborava com os jovens produtores do interior e ia até Coronel Barros ensinar contabilidade em 1968. “Comecei a ter aulas com Argemiro e passei a ter mais conhecimento para poder administrar minhas lavouras. Foi quando comecei minhas anotações. Sempre gostei de fazer as coisas na prática e depois passar a teoria para o papel. Acredito que assim nós alcançamos resultados”, explica o produtor. 
Todos os dias, durante 27 anos – entre 1968 e 1995 - Amaury anotou em seus caderninhos dados da lavoura, custos, adubação, produtividade e precipitação pluviométrica. No primeiro dia de cada mês, anotava os preços das culturas, não perdia nenhum detalhe. A rotina começou a render bons resultados após 10 anos, quando o produtor pode visualizar os números e comparar os dados anotados. “No agronegócio nunca se deve avaliar dados de um ano. Para ter uma boa noção de produtividade e preços visualiza-se, em média, 10 anos. Minhas anotações me beneficiaram muito. Foi a melhor coisa que fiz, pois não trabalho a terra somente para colher e sim para gerar lucro”, conta. Muito dedicado e trabalhador, chegou a plantar 100 hectares de soja sozinho e recebeu  um prêmio de melhor produtor concedido pela Emater.
Amaury tornou-se um exemplo para os produtores da região, monitorando o desempenho das lavouras num período em que não havia tecnologia disponível para verificar produtividade e lucratividade. Há 20 anos, o produtor aposentou o trabalho no campo, mas a paixão pelo agronegócio ainda segue firme. Com 100 hectares de soja e trigo hoje arrendados pelo sobrinho, o contato com o manejo ainda é próximo, Amaury não deixou o costume de lado e está sempre de olho em seus caderninhos guardados desde 1968. Atencioso, ele auxilia o sobrinho na busca de dados e o faz anotar tudo. 
Casal admirado
Casado há 50 anos com Glaidis Dalva Marcks, natural da Alemanha, o produtor muito brincalhão ressalta a admiração que tem pela esposa e como a parceira o ajudou durante o período que trabalhava no campo, “Ela é bem alemã e eu a chamo de “Bugra”, brinca . “É a mulher mais linda que eu conheci. Ela e a irmã me ajudaram muito, principalmente quando colocávamos as sacas no caminhão, Gladis chegou a carregar sacos de 90 quilos”, conta. Hoje o casal aproveita os bons momentos escutando, cantando e tocando músicas gaúchas com os amigos pela cidade.
Os dois filhos são médicos. “Sempre os apoiei e fiz questão de formá-los. Mas o meu filho mais novo tem vocação para ser agricultor, ele disse que um dia virá me ajudar. Já está até comprando umas terrinhas”, conta entusiasmado. O casal, muito querido e admirado em Coronel Barros, mora sobre a agência dos Correios da cidade. “Todos os dias, pela manhã, antes da agência abrir, eu, minha esposa e amigos temos o hábito de nos reunir no banquinho na calçada, logo em frente, para conversar e contar histórias. Um dia, o banquinho amanheceu com a inscrição “Cantinho da Fofoca”, em alemão. Foi uma homenagem feita pelas funcionárias do Correios”, recorda.
Fonte: Paulo Marques Notícias
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