Um apicultor de São Gabriel, na Região da Campanha, no Rio Grande do Sul, teve suas colmeias roubadas. Segundo ele, cada uma ia
produzir, em média, 50 kg de mel por ano. Esse tipo de crime tem se repetido no interior do estado, de acordo com produtores da área. A polícia desconfia que possa
haver envolvimento de outros apicultores nos casos, como mostrou a reportagem do Jornal do Almoço da RBS TV.
No começo, os bandidos roubavam o mel. Mas
depois levaram as abelhas. “O prejuízo é muito grande”, queixa-se Alex Benaventura.
Em outra propriedade, as perdas foram ainda piores.
Não sobraram nem as caixas de madeira onde os enxames produzem o mel. “Diminuiu 50%. Eu vendi este ano 100 caixas de abelha em função do roubo”, lamenta o
apicultor Ricardo Dias da Silva.
As últimas caixas foram roubadas de uma lavoura de canola, já que os apicultores tem parceria com os agricultores da
região. Elas estavam escondidas no fundo da propriedade, mas foram encontradas. Foram levadas 108 colmeias, uma carga estimada em quatro toneladas, com mel, as caixas e as
abelhas.
“Não é ladrãozinho comum, não se consegue transportar a colmeia se tiver um bom conhecimento”, diz o presidente da
Federação Apícola do estado, Aldo Machado Santos.
Apicultores desconfiam de colegas
Aproximar-se das colmeias pode ser
perigoso. Um ataque como este pode ser mortal sem equipamento de segurança. Isso reforça a tese dos apicultores de que quem levou as outras caixas sabia do risco que estava
correndo e sabia também manusear os equipamentos.
A polícia também desconfia do envolvimento de outros apicultores no crime, mas a falta de
pistas intriga o delegado que investiga os roubos.
“É algo que nos intriga, no local não havia rastro de caminhão. Teria que ser um
caminhão pra transportar todo este material de uma só vez e porque as caixas estavam numa plantação de canola e nós não encontramos indícios
de amassamento que demonstrasse a passagem de um veículo pesado no local”, explica o delegado José Soares de Bastos.
O preço do mel
quadruplicou nos últimos dez anos porque a procura é muito maior que a produção. Para o consumidor, o quilo custa quase R$ 30.