A Polícia Federal indiciou 14 pessoas por participação em um esquema de desvio de dinheiro nos financiamentos do
Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no Vale do Rio Pardo. O inquérito será entregue à Justiça nesta sexta-feira (21). Conforme
reportagem da RBS TV de Santa Cruz do Sul, quase mil pequenos agricultores foram prejudicados pela fraude e tiveram prejuízo de R$ 10 milhões.
Entre os
indiciados, seis possuem relação com a Associação Santa Cruzense de Pequenos Agricultores Camponeses (Aspac). Um deles é o ex-coordenador da Aspac e
vereador do PT, Wilson Rabuske, que disse que só irá se pronunciar após ter acesso ao inquérito.
Os outros oito são funcionários
do Banco do Brasil em Santa Cruz do Sul e Sinimbu, que participavam de convênio com a associação para empréstimos do Pronaf. Com a fraude, o dinheiro que era
destinado aos produtores era desviado das contas para a Aspac.
Os indiciados vão responder pelos crimes de formação de quadrilha,
obtenção de financiamento mediante fraude e desvio de finalidade de financiamento. Os gerentes do Banco do Brasil ainda responderão por gestão
fraudulenta.
A Rádio Gaúcha tentou entrar em contato com o delegado Luciano Flores de Lima, responsável pelo inquérito, mas não teve
retorno.
Entenda a fraude
Os agricultores solicitavam crédito do Pronaf via Aspac junto ao Banco do Brasil de Santa Cruz
do Sul e Sinimbu. A associação recebia o dinheiro do financiamento, mas informava que o empréstimo havia sido negado e convencia o produtor a realizar um segundo
empréstimo. Os recursos do segundo empréstimo eram repassados aos agricultores. Após o período de carência de dois anos para o pagamento, os produtores
ficavam sabendo que tinham sido lesados quando o Banco do Brasil cobrava pelos dois empréstimos.