Duas cidades em dois extremos do Rio Grande do Sul se destacam como principais pontos
de venda de drogas em 2015.
Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública, Itaqui, na Fronteira Oeste, e Capão da Canoa, no Litoral Norte,
figuram como líderes em ocorrências policiais de tráfico de drogas, em proporção à população, no primeiro semestre. A
estatística mostra que em Itaqui a taxa é de 14,8 registros por 10 mil habitantes, e, em Capão da Canoa, de 14,1 casos.
Separada pelo
Rio Uruguai de Alvear, na Argentina, Itaqui está em um tradicional corredor usado por quadrilheiros internacionais para o ingresso clandestino de armas e drogas oriundas do Paraguai.
No sentido inverso, costumam sair por ali veículos roubados na região metropolitana da Capital. Em abril deste ano, por exemplo, foi apreendida no município uma Pajero
clonada, avaliada em R$ 130 mil, que seria utilizada como moeda para pagamento de contrabando.
É possível que o tráfico tenha migrado para
Itaqui em razão de uma megaofensiva policial na vizinha São Borja, em 2012, que deslocou 600 agentes à fronteira para capturar 13 quadrilhas de dominavam o
comércio na cidade. Na ocasião, foram presas 77 pessoas.
Na proporção, capital fica em terceiro lugar
Mais populoso município do Litoral Norte, Capão da Canoa se consolidou nos últimos cinco anos como um pujante mercado consumidor de drogas entre as 25 cidades
que compõem a região. O comércio de entorpecentes se espalha por vilas da periferia, beneficiado pela facilidade de acesso direto à rodovia ERS-389, a Estrada do
Mar, e ao fato de a cidade estar bem próxima da BR-101. Ambas são usadas como rotas para chegada e saída de cocaína, maconha, crack e drogas sintéticas da
Região Metropolitana, da Serra e de Santa Catarina.
Em janeiro, o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) prendeu,
em Xangri-lá, um personal trainer, morador da Capital, com 40 comprimidos de ecstasy, que seriam vendidos em uma casa noturna.
Embora em números
absolutos Porto Alegre some quase um terço dos registros de tráfico no Estado, proporcionalmente fica em terceiro lugar, com 9,6 ocorrências por 10 mil habitantes. Isso
porque é comum as quadrilhas preferirem montar suas bases em áreas mais descampadas para armazenar e refinar a droga.