A mulher do executivo
francês Cyrile Fourni, de 50 anos, morto nesta quarta-feira (12) em um acidente entre um táxi e um ônibus na Avenida Vereador José Diniz, na Zona Sul de São
Paulo, disse que o marido “amava o Brasil”.
"Ele amava o Brasil como tudo na vida dele. A coisa que ele mais gostava era trabalhar, isso ele sabia
fazer bem", disse a professora Maria Tereza Fourni em entrevista ao G1.
Ela disse que soube que seu marido estava entre as vitimas após ver sua imagem
na televisão. Maria Tereza estava na academia esperando por seu motorista quando soube que havia ocorrido um acidente na região da sua residência e que teria que ir
embora a pé, já que o trânsito estava caótico.
"Cheguei em casa, fui ver na televisão a imagem [do acidente] e chamei minha
empregada. Daí quando eu vi apareceu a foto dele", contou no Instituto Médico-Legal (IML), onde estava esta tarde para cuidar da liberação do corpo do
marido. Casada há 20 anos com o vice-presidente financeiro da Helibras, a professora disse que voltou a morar no Brasil há dois anos. Antes disso, o casal morou na
França e Canadá.
Segundo ela, o marido estava indo para a empresa no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, quando ocorreu o acidente. O
corpo de Cyrile deve ser enterrado na França, já que a vítima tem cinco irmãos que moram no país.
Os filhos, de 9 e 14 anos, ficaram
chocados ao saber da tragédia. "O pequeno era muito apegado com o pai", afirmou a viúva. "Ele era uma pessoa muito alegre, comunicativa e não tinha
nenhum defeito", lembrou carinhosamente do marido.
O francês era vice-presidente financeiro da Helibras desde 2011 e viajava como passageiro do
táxi atingido pelo ônibus. Segundo a empresa, ele trabalhou na Airbus Helicopters desde 1988 e já havia trabalhado anteriormente na Helibras como chefe de controle, de
1995 a 1999. A Helibras é uma empresa nacional que está há 36 anos no mercado e o governo de Minas Gerais possui o controle acionário.
Nascido no Marrocos, Cyrille foi criado desde a infância em Angé, na França, e tinha dupla nacionalidade. Para familiares do executivo, ele era uma pessoa muito
carinhosa e amorosa. Além disso, era muito tranquilo. "Eu brigava com ele e ele era incapaz de responder para mim alguma coisa", disse a viúva. Ele vivia cercado de
amigos e era muito festeiro. "Queria festa todo dia. Toda semana fazia churrasco em casa", contou a mulher. Nos momentos de lazer do executivo, ele virava um esportista e
alternava entre os jogos de tênis e squash.
Acidente
O motorista do ônibus que esmagou o táxi disse que foi
fechado pelo taxista, segundo o gerente da SPTRans da Zona Sul de São Paulo, Ricardo Rocha. O major da Polícia Militar que está acompanhando o acidente, Sérgio
Watanabe, afirmou que "faltou freio ao ônibus". Além do francês, também morreu no acidente o motorista de táxi Ronaldo Voltan, da empresa Cooper
Luxo. Oito pessoas ficaram feridas.
Segundo Rocha, o motorista do ônibus está muito abalado, mas descartou hipótese inicial dos Bombeiros de que ele
teria tido um mal súbito. “Ele estava trafegando no corredor quando repentinamente foi fechado pelo taxista e perdeu o controle. Ele tentou frear, mas não era
possível. Pelo que ele me passou, ele trafegava abaixo da velocidade permitida que é de 50 km/h [no corredor].”
“Ao que tudo indica, faltou
freio ao ônibus. Não há marcas de frenagem no chão”, completou o major Watanabe.
Um cunhado do motorista de táxi, que
não quis se identificar, afirmou que escutou pelo rádio notícia sobre o acidente e ligou para ele. "Estava ligando pra ele. Liguei várias vezes. Não
atendia. Eu vim pro local, porque falaram que era um Corolla preto. Quando vim, eu vi essa imagem. Não tem nem o que falar. Ele estava há 22 anos na praça."
Segundo o cunhado, ele era casado e deixou dois filhos, um de 18 anos e um de 11.
Os oito feridos tiveram ferimentos leves e quatro foram encaminhados para o Pronto-
Socorro Bandeirantes, quatro para o Pronto-Socorro do Servidor Público.