Um assalto a duas agências bancárias paralisou Imigrante, município de 3 mil habitantes no Vale do Taquari, na manhã desta segunda-feira.
Segundo a polícia, as agências do Banrisul e do Bradesco foram assaltadas, simultaneamente, por volta das 11h45min, por cinco criminosos armados com fuzis. Confira abaixo como
foi o crime e conheça o perfil dos criminosos.
Como foi o crime
Cinco criminosos chegaram em um Cobalt branco e um
Tida preto nas agências do Banrisul e do Bradesco, no Centro de Imigrante, por volta das 11h40min de segunda-feira. Os bandidos, com fuzis e outras armas de grosso calibre, chegaram
atirando e obrigaram funcionários das agências e pedestres a formarem fila de mãos dadas na via, para barrar a passagem nos dois sentidos. Uma lotérica que fica
entre os bancos também foi invadida.
Após 25 minutos, o bando fugiu com dinheiro levando reféns um dos vigias e uma funcionária do Banrisul
no Tida preto. A cerca de 800 metros dali, o motorista do carro perdeu o controle ao passar por um quebra-molas, e o carro capotou em uma curva. Os criminosos foram resgatados pelo restante
do bando e seguiram em fuga em direção a Boa Vista do Sul no Cobalt, abandonado quilômetros adiante.
Um casal que aguardava em outros dois carros
para ajudar na fuga foi preso logo em seguida. Outros três foram capturados após confronto com a polícia na mata. Teriam restado ao menos dois assaltantes. Na madrugada
dessa terça-feira, um agricultor contou a polícia ter sido rendido por três homens armados, que o obrigaram a levá-los em seu Fusca até o bairro Sharlau,
em São Leopoldo.
O perfil dos presos
Agripino Brizola Duarte, 45 anos — a polícia acredita que era o
líder do bando, por sua experiência e por ser conhecedor da região. Natural de Palmeira das Missões, acumula condenações que somam 43 anos de
prisão. Ainda assim, obteve o direito de cumprir pena em prisão domiciliar desde o último dia 6 de julho, em razão de seu estado de saúde debilitado por
um câncer. Pouco mais de um mês foi o suficiente para que ele retornasse ao crime. A ficha penal de Duarte registra sua primeira condenação por um crime cometido
em março de 2007, em Lajeado. Em março daquele ano, ele e um comparsa assaltaram uma exportadora de pedras, roubando 3,8 quilos de pedra ametista (avaliados em R$ 800) e R$ 2
mil do caixa do estabelecimento. Pelo crime, foi condenado a seis anos e oito meses em regime fechado, mas em maio de 2009 recurso à segunda instância reduziu a sentença
para cinco anos e quatro meses em regime semiaberto.
Um mês depois, fugiu, e foi recapturado em outubro do mesmo ano, retornando à reclusão
fechada. Em junho de 2010, progrediu novamente ao semiaberto e em novembro voltou a infringir a lei – ele e outro homem invadiram uma casa no bairro Americano, em Lajeado, e roubaram
uma série de pertences da família, mas acabaram presos em flagrante pela BM. Somou nove anos ao total de sua pena. Em dezembro de 2011, recebeu outra condenação
de oito anos e meses por assalto praticado em julho de 2007. Na ocasião, ele e um comparsa assaltaram um estabelecimento comercial em Porto Alegre. Em seguida, foram até a
casa dos proprietários mantidos reféns e fizeram a limpa na residência. Na segunda instância, a sentença foi reduzida para cinco anos e 11 meses. No
início de 2013, Duarte progrediu para o regime semiaberto para, no mês seguinte, voltar à condição de foragido. Foi recapturado em abril daquele ano, em um
veículo clonado depois de fugir de uma barreira da BM em Canoas. O crime rendeu mais um ano e nove meses de pena em regime semiaberto, mas devido à fuga anterior, voltou ao
fechado. Ainda em 2013, Duarte foi condenado a outros 20 anos de prisão por um roubo a uma residência em Palmeira das Missões, cometido em 2010, que resultou na morte de
Ogue da Silva Fagundes – a vítima foi agredida por negar a presença de armas na residência que acabaram sendo localizadas pelos ladrões e teve um
enfarto.
No final de 2014, já debilitado por câncer, obteve direito de cumprir suas penas em prisão domiciliar, mas descumpriu a medida e passou
ser considerado foragido. Em fevereiro desse ano, Duarte participou do ataque ao Banco do Brasil de Campestre da Serra e voltou a ser preso. Mas no início do mês passado,
ganhou novamente o direito a prisão domiciliar em razão da sua condição de saúde. Mesmo assim, na segunda-feira Duarte estava mais uma vez no crime, e
acabou preso pelo assalto aos bancos de Imigrante.
Josué Ribeiro Volz, 29 anos (o Gordo) — natural de Pelotas, soma 16 anos e quatro meses
de condenações por roubo. Cumprindo pena em regime semiaberto desde julho de 2013, Volz progrediu para o regime aberto, em prisão domiciliar, no último dia 24 de
julho — foi ainda mais rápido que Duarte, retornando ao crime 17 dias depois no ataque de segunda em Imigrante.
João Maurício Machado
Grabalski, 30 anos — contabiliza 24 anos e cinco meses de pena, resultado de cinco condenações por roubos, receptação e tentativa de
homicídio. Em julho de 2003, com um comparsa, roubou uma moto no bairro Mathias Velho, em Canoas. Dois anos depois, assaltou um mercado no bairro Chácara, em Eldorado do Sul.
Em abril de 2006, estava na carona de uma moto no bairro Niterói, em Canoas, quando reagiu a abordagem de PMs, sacando um revólver e acabou baleado pelos policiais. Na
Capital, em 2009, ele e um comparsa assaltaram uma filatélica roubando R$ 10 mil, coleções de relógios de bolso e de moedas de prata brasileiras dos
período colonial e imperial, além de pertences de funcionários e clientes do estabelecimento. Por participação em uma tentativa de homicídio
ocorrida em 2010 em Osório, cujo processo correu em segredo de justiça, foi condenado com outros dois comparsas. Desde sua primeira condenação, Grabalski fugiu
duas vezes do semiaberto, aproveitando os períodos de liberdade para cometer delitos. Capturado, retornava à reclusão fechada, mas progredia de regime novamente. No
último dia 21 de julho, obteve direito à liberdade condicional. Menos de um mês depois, o assalto aos bancos de Imigrante marcou mais um retorno de Grabalski ao mundo da
criminalidade.
Paulo Sérgio Ferreira, 32 anos — Com antecedentes por tráfico, foi preso na direção de um Meriva
perto do pedágio da Rota do Sol. Estaria, segundo a polícia, esperando o bando para auxiliar na fuga.
Izaura Anita Tavares Dutra —
Com antecedentes por receptação, foi presa na direção de um Peugeot e, segundo a polícia, também iria apoiar a fuga da quadrilha. Tem
relações de parentesco com Duarte.