Na terça-feira que sucedeu o dia de protestos e suspensão de serviços
motivados pelo parcelamento de salários do Executivo no Rio Grande do Sul, delegacias de polícia mantiveram a restrição de alguns serviços à
população, na chamada operação-padrão. A manifestação consiste no não registro de ocorrências que podem ser feitos online nas
unidades. Em Porto Alegre, porém, nem todas aderiram à restrição.
Orientada pela Associação dos Delegados de
Polícia do Estado (Asdep) após assembleia na sexta-feira, a redução no atendimento segue até o pagamento integral dos vencimentos da
corporação. Na manhã desta terça-feira, em ronda pelas delegacias da Capital, Zero Hora não constatou transtornos diretos à população
ocasionados pela medida.
— Tivemos o cuidado de tomar uma decisão na assembleia pensando, também, na sociedade. Sei que algumas medidas adotadas
não são sempre bem vistas, mas o serviço daqueles casos de maior gravidade está sendo realizado — diz o vice-presidente administrativo da Asdep,
Fábio Motta Lopes.
Duas unidades visitadas pela reportagem estavam, inclusive, registrando até mesmo aqueles casos aptos a serem comunicados online
(perda de documentos, acidentes de trânsito sem vítima, furtos simples, crimes contra a honra, maus-tratos contra animais e perturbação da tranquilidade): a
2ª Delegacia de Polícia (DP), no bairro Menino Deus, e a 4ª DP, no São João. Já na 16ª DP, na Restinga, e na Delegacia de Polícia de Pronto
Atendimento (DPPA) localizada no Palácio da Polícia, agentes informaram que ocorrências que podem ser feitas pela internet não estavam sendo atendidas.
Segundo Lopes, investigações de crimes cometidos sem violência estão suspensas no Estado, mas aquelas em que a vítima corre um eventual
risco de vida seguem mantidas. A categoria também interrompeu a realização de operações especiais e, a partir de 17 de agosto, cortará o
serviço de sobreaviso.
Na segunda-feira marcada por manifestações de servidores estaduais e paralisação de serviços no
Estado, DPs só atenderam a casos de crimes contra a vida (como homicídio, estupro e Lei Maria da Penha). Na 2ª DP, para se ter uma ideia, foram registradas 12
ocorrências, quando o normal ultrapassa 50.