A Polícia Federal prendeu ao amanhecer o ex-ministro da Casa
Civil José Dirceu. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato,
que investiga corrupção dentro da Petrobras.
A prisão foi ordenada após a constatação de que o ex-ministro movimentou, dentro
da sua empresa JD Consultoria, R$ 71,4 milhões desde 2007. As movimentações aconteceram mesmo após Dirceu ter sido condenado no processo do Mensalão do
PT. A justificativa das prisões é que teriam sido usados laranjas para realizar operações ilegais, mesmo após a realização das primeiras
fases da Lava-Jato.
Dirceu estava cumprindo prisão domiciliar em Brasília, onde foi preso. Ele ganhou esse benefício em outubro de 2014, após
ficar preso na Penitenciária da Papuda.
A nova ação da PF é denominada Operação Pixuleco (apelido pelo qual alguns dos
indiciados na Lava-Jato se referiam à propina). São 40 mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e seis de
condução coercitiva (quando o suspeito é conduzido para depor em delegacias). A ação acontece em Brasília, Rio de Janeiro e São
Paulo.
Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem
de dinheiro. Foram decretados também o sequestro de imóveis e o bloqueio de contas bancárias dos presos.
José Dirceu teve recusados,
entre junho e julho, três pedidos de habeas corpus para não ser preso. Os três foram impetrados junto ao Tribunal Regional Federal de 4ª Região, em Porto
Alegre. Os magistrados negaram a solicitação, que permitiria a ele permanecer em liberdade, mesmo diante de uma ordem da Justiça Federal de primeira instância de
Curitiba.
Os desembargadores deram justificativa de que não havia indícios de que a prisão poderia acontecer, que existiam vários
investigados e nem todos corriam o risco de serem presos. José Dirceu foi ministro da Casa Civil no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (entre 2003-2006).