O anúncio de paralisação por diversos setores do
funcionalismo público no Rio Grande do Sul levou o governo a emitir uma nota dirigida à população gaúcha no fim da noite de domingo (2), em que garante
esforços para manter os serviços públicos em funcionamento. O comunicado diz que com a medida de parcelamento de salários de julho, divulgada na sexta-feira
(31), apesar de "severa", "procurou causar o menor dano possível aos servidores e aos diferentes setores da sociedade."
Policiais militares e
civis, professores, rodoviários, e integrantes de outras categorias, através de orientações de seus sindicatos, já demonstraram seu descontentamento e
programou 24 horas de mobilizações nesta segunda-feira (3).
No fim da madrugada, rodoviários da Carris, uma das principais empresas de
ônibus em Porto Alegre, se reuniram para debater como será o decorrer do dia. Até as 5h15, nenhum coletivo havia saído da garagem por temor a um aumento de
assaltos, já que o policiamento da capital também programa manifestações que podem implicar no atendimento às ocorrências.
Sobre
a mobilização dos policiais, que têm a orientação de suas associações de servidores para se manter nos batalhões e quartéis e
somente atender casos de emergência, o Comando-Geral da Brigada Militar se manifestou, também em nota oficial, que "confia que não ocorrerá a prática
de qualquer ato contrariando a legislação especial vigente, eis que à corporação, por seus policiais e bombeiros militares, é conferido o dever de
preservar a ordem pública e trabalhar em prol da sociedade".
No fim de semana, policiais militares deram início a uma "operação
padrão", que consiste em os servidores saírem para as ruas apenas com o equipamento, incluindo viaturas, com documentação em dia. Como muitos
veículos estão com algum problema mecãnico ou com IPVA de 2015 vencido, conforme relatos dos batalhões de Porto Alegre e do interior do estado, eles decidiram
sair a pé, na falta de transporte.
Leia, na íntegra, a nota do governo do RS:
Comunicado à
população gaúcha
- O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, desde o início do ano, comunicou de maneira transparente e aberta a
situação de gravidade das finanças públicas estaduais.
- O Governo adotou medidas severas de austeridade para manter a
governabilidade, procurando causar o menor dano possível aos servidores e aos diferentes setores da sociedade.
- Na última sexta, em medida
extrema, o poder público se viu obrigado a parcelar o salário de 48% do funcionalismo público. Respeitamos e compreendemos as dificuldades que isso impõe aos
servidores e às suas famílias.
- Diante de tal fato, o Governo do Estado reconhece e respeita a legitimidade das manifestações
sindicais que possam ocorrer de maneira democrática e responsável. Ao mesmo tempo, fará todos os esforços para manter a normalidade dos serviços
públicos.
- Temos convicção de que, neste momento do Estado, os líderes sindicais saberão adotar uma postura de
respeito à população e ao papel constitucional e institucional que possuem. Estamos todos do mesmo lado e precisamos encontrar soluções conjuntas para
superar o desequilíbrio financeiro.
- O governador José Ivo Sartori determinou que todas as equipes de governo mantenham permanente
diálogo com os servidores e seus representantes, especialmente os secretários da Casa Civil, Márcio Biolchi, da Segurança Pública, Wantuir Jacini, da
Educação, Vieira da Cunha, e da Saúde, João Gabbardo.
- Durante esta semana, o Governo do Estado estará em contato
permanente com o Governo Federal, poderes, organizações, sindicatos e equipe de governo para ultimar um novo conjunto de projetos de enfrentamento da crise e de mudança
estrutural do Estado, que será enviado à Assembleia Legislativa.
- Renovamos à população gaúcha nossa
disposição de enfrentar esta situação por meio da solidariedade de toda a sociedade. A crise é estrutural e não será resolvida pelo velho
radicalismo político. O enfrentamento real e decisivo depende da união de todos os gaúchos.