O Ministério Público (MP) denunciou dez pessoas pela fraude do queijo no Noroeste do RS. Todos são
envolvidos na comercialização de queijo com farinha e com leite rejeitado pelas indústrias, em alguns casos, inclusive, produto que deveria ser inutilizado. Ainda foram
detectadas distribuição irregular para mais de vinte cidades gaúchas, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção ativa e passiva.
O alvo da Promotoria é a Laticínios Progresso de Três de Maio, que tem também um depósito em Ivoti, no Vale do Sinos. Na semana passada,
quando foi desencadeada a Operação Queijo Compensado 1, a Promotoria não havia detectado produtos nocivos à saúde humana, mas depois de uma análise
mais rigorosa, encontrou a presença de coliformes fecais.
Denunciados
O promotor criminal Mauro Rockenbach denunciou os
responsáveis pela Progresso e que foram presos na semana passada: o proprietário, Volnei Fritsch, o filho dele e contador, Pedro Fritsch, e um sócio, Eduardo
André Ribeiro. Além deles, a irmã de Volnei, Roselaine Fritsch, a companheira de Eduardo, Andréia Abeling, o motorista da empresa, Arnildo Roesler, o
funcionário, Neimar Hosda e um apoiador do esquema, Cláudio Fuhr. Também foram denunciados o secretário de Agricultura de Três de Maio, Valdir Ortiz, e o
veterinário da prefeitura do município, Marcelo Paz Carvalho.
Roselaine e Andreia são apontadas por lavagem de dinheiro, sendo que Roselaine
ainda aparece como laranja em esquema criminoso. O secretário de Três Maio e um veterinário são apontados por falsidade ideológica. O secretário
ainda é suspeito de corrupção ativa e passiva.
Um fiscal da prefeitura de Estância Velha que foi investigado não foi denunciado pelo
MP, por não ter sido constatada nenhum irregularidade na conduta do servidor.
Investigação
A sede da empresa, em
Três de Maio, e um depósito, em Ivoti, foram interditados. O secretário de Agricultura de Três de Maio e o fiscal da prefeitura de Estância Velha,
investigados por facilitar o esquema criminoso, foram afastados. O secretário ainda consta nas despesas mensais do laticínio. Na sexta-feira da semana passada, o MP descobriu
queijo do futuro, já que a data de fabricação era do dia 19 de junho e o produto foi apreendido dia 13. A denúncia deve ser oferecida até a próxima
sexta-feira (26).
Contraponto
De acordo com a defesa dos representantes da Progresso, os empresários não negam que
tiveram dificuldades na conservação e maturação dos produtos, mas sempre trocaram o queijo que apresentou problema. O advogado Juarez Antônio da Silva diz
ainda que seus clientes negam a adição de amido de milho nos moldes informados pelo MP.
Silva lembra que o queijo não tinha produtos nocivos
à saúde humana e que a distribuição para outros municípios deve ser discutida após a apresentação de provas por parte da Promotoria.
Também destaca que a Progresso não recebeu verbas públicas e nunca destinou recursos para estes fins, bem como o pagamento de salários para o
secretário de Agricultura de Três de Maio.
Os advogados dos demais envolvidos ainda não foram localizados.