O vento que derrubou árvores e destelhou casas em Faxinal dos Rosas, em Chapecó, no
Oeste catarinense, neste final de semana, poder ter sido resultado de uma microexplosão. A informação foi repassada pela Defesa Civil de Santa Catarina, com base na
análise de imagens do local realizada por meteorologistas da Epagri/Ciram.
Clóvis Corrêa, meteorologista do órgão estadual de
monitoramento do clima, explica que este tipo de fenômeno é caracterizado pela ocorrência em uma área bastante específica, é uma
situação muito pontual e localizada. "O ideal seria irmos lá, mas com base nas imagens, a primeira avaliação indica que seria uma
microexplosão, não é um tornado", explica o especialista.
Segundo ele, novas análises serão feitas à medida em que
chegarem novas informações e imagens. A microexplosão é caracterizada por "rajadas de ventos fortes em alguma faixa específica, e que derrubam
árvores, causam destelhamentos, sempre para o mesmo sentido", detalha Corrêa.
Este tipo de fenômeno é formado em nuvens chamadas
'cumulonimbus', mais conhecidas como nuvens de tempestades. A destruição causada por elas ocorre em uma mesma direção, deixando os destroços
virados para o mesmo lado.
Ventos fortes e muita chuva
Corrêa explica que não há uma estação
meteorológica próxima da localidade de Faxinal dos Rosas e, por isso, não é possível confirmar a velocidade dos ventos.
Na
região Oeste, outros municípios registraram rajadas fortes. Em Novo Horizonte, a velocidade chegou a 69 km/h entre a noite de sábado e a tarde de domingo. Em
Xanxerê, o vento chegou a 58 km/h.
A região Oeste também foi a mais atingida pela chuva, segundo a Epagri/Ciram. Um levantamento feito pelos
meteorologistas do órgão indica que entre as 21h de quarta-feira (10) e às 15h deste domingo, várias cidades da região registraram acumulados superiores a
100 milímetros (mm). Somente Chapecó registrou 169,6 mm.
"A tendência é que à noite comece a declinar as chuvas. As chuvas
mais significativas já aconteceram, não vão acontecer mais. O que estamos esperando é fechar os valores das chuvas, para divulgar o levantamento final.
Não tem mais possibilidade de chuva forte no estado", tranquilizou o meteorologista.
Estragos em várias regiões
A chuva que cai sobre Santa Catarina neste fim de semana provocou problemas em várias partes do estado, como Oeste, Serra e Vale do Itajaí.
Em Herval d’Oeste, no Oeste catarinense, uma queda de barreira na manhã deste domingo (14) bloqueou a BR-282, na altura da Curva do Passat. Por volta das 12h, parte da rodovia
já havia sido liberada.
Em Chapecó, ruas do Centro ficaram alagadas. Na localidade de Faxinal dos Rosa, uma árvore de 150 anos foi arrancada
pela força dos ventos. Várias casas também ficaram destelhadas.
Já em Concórdia, uma barragem de contenção de enchentes
se rompeu, mas não chegou a atingir a cidade, de acordo com a Prefeitura.
Ainda no Oeste, a Prefeitura de Joaçaba informou na manhã deste domingo
(14) que a região do entorno do Rio do Tigre estava em estado de atenção. Foram constatados na cidade problemas pontuais, com bueiros entupidos e pequenos
desmoronamentos.
Em Lages, na Serra, a rua encheu o Rio Carahá, que corria o risco de transbordamento na manhã deste domingo. Uma das ruas da
região central da cidade ficou completamente alagada. Uma casa cedeu e parte dela caiu dentro de um córrego da cidade.
No Vale do Itajaí, parte do
terreno da escola Jonas Neves, no bairro Fidélis, desmoronou com a chuva. Ainda não há informações sobre a interdição da unidade de
ensino.