Nesta quarta-feira, a Justiça ouviu, pela primeira vez, os quatro suspeitos pela morte de
Bernardo Boldrini, ocorrida em abril de 2014 quando ele tinha 11 anos. No entanto, apenas dois deles responderam ao interrogatório — Leandro Boldrini e Evandro Wirganovicz.
Já Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz fizeram uso do direito de permanecer em silêncio.
Abaixo, veja as principais frases ditas pelos
réus, na ordem em que foram ouvidos, durantes as cinco horas de audiência.
Leandro Boldrini, pai de Bernardo
"O grau de tolerância de Bernardo era zero. Ele não aceitava um não."
"Esse vídeo foi feito para pedir ajuda
psicológica, psiquiátrica para polícia. Eu estava com medo", disse sobre vídeo em que o filho aparece com uma faca pedindo socorro.
"Eu só fiquei sabendo da morte do Bernardo quando eu estava preso. Quando ela (Graciele) me confessou que teve participação, entrei em desespero, a polícia
teve que me segurar".
"É um absurdo dizer que Graciele proibia Bernardo de entrar em casa. Nunca foi. Isso é mentira."
"Estou com a vida destruída. Perdi meu filho. Cadê o Bernardo? Minha vida está destruída, cadê meu filho? Cadê o meu luto? Como tu achas que
estou me sentindo? Uma pessoa respeitada, de família, com dignidade."
"O senhor está lutando por uma causa perdida. Sou inocente. Amo o meu
filho, vou amar o meu filho para sempre", disse Boldrini a advogado.
"O Bernardo está vivo para mim. Eu amo ele, vou amar eternamente."
"Eu sou inocente. A minha inocência é cristalina."
"Estou há mais de um ano sobrevivendo. A mídia me
massacrando. A justiça tem que ser, como diz seu próprio nome, justa."
Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo
"Não sei", disse ao ser questionada se é solteira ou casada, e qual sua profissão. Antes disso, ela não conseguiu dizer o nome nem a
idade.
"Sim", disse quando o juiz perguntou se Graciele compreendeu acusação. Depois, disse que não iria responder a nenhuma
pergunta.
Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele
"Sim", respondeu quando questionada se sabe das
acusações pelas quais responde. Antes disso, detalhou sua atividade profissional. Falou alto e claro, diferente de Leandro e Graciele, anteriormente.
"Fui obrigada a vir. Estou em tratamento", disse ela, alegando não ter condições de responder a nada.
"Só vou falar no
júri", concluiu.
Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia
"Peguei oito peixes: cinco trairinhas e
três jundiás", afirmou sobre o dia em que é acusado de cavar a cova onde Bernardo foi enterrado e disse que fugiu mais tarde por orientação do
advogado.
"Na beira do rio, é terra macia", responde Evandro sobre a região onde o corpo de Bernardo foi enterrado.
"Eu não fiz nada. Quem fez tem que pagar. Se ela (Edelvânia) fez, tem que assumir o que fez."
"Eu boto minha cabeça no travesseiro de
noite e durmo. Minha consciência não está pesada. Eu durmo tranquilo. Não sou assassino. Se eu ficar na cadeia, vou estar pagando por uma coisa que eu não
fiz."
"Deus vai tocar no seu coração e o senhor vai ver que estou falando a verdade", diz Evandro aos prantos ao juiz.