Segunda acusada a ser interrogada pela Justiça sobre o processo que investiga a morte do menino Bernardo Boldrini, a madrasta da criança, Graciele Ugulini, se calou na
audiência na tarde desta quarta-feira (27) no Fórum de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Em seguida, a amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, também
resolveu não se pronunciar. As duas são rés no processo que investiga o crime junto com o médico Leandro Boldrini, pai da criança, e do irmão de
Edelvânia, Wirganovicz.
O depoimento de Graciele começou por volta das 14h50, após o intervalo que sucedeu a oitiva do pai de Bernardo, o
médico Leandro Boldrini, que se declarou inocente. Ao entrar no fórum, Graciele pediu um copo d'água. Em seguida, sentou em frente ao juiz para ser interrogada, mas
não respondeu nem mesmo informações sobre dados pessoais.
Após o juiz fazer a leitura das denúncias, ele perguntou se ela queria
ficar em silêncio. A resposta foi positiva. Em seguida, assinou um papel e, como não desejou assistir aos outros depoimentos, foi embora.
Após a
saída de Graciele, Edelvânia foi chamada para depor. Confirmou que gostaria de fica em silêncio, mas comentou que falará no julgamento.
"Vim forçada. Me obrigaram a vir. Estou fazendo tratamento, não estou bem. Vou falar no dia do julgamento", afirmou.
O menino Bernardo desapareceu
no dia 4 de abril de 2014, data em que foi morto. Seu corpo só foi encontrado no dia 14 de abril. Segundo as investigações da Polícia Civil, o menino morreu em
razão de uma superdosagem do sedativo midazolan e foi enterrado em uma cova, na área rural de Frederico Westphalen, a 80 km de Três Passos. Graciele e Edelvânia
teriam dado o remédio que causou a morte do garoto e depois teriam recebido a ajuda de Evandro para enterrar o corpo.
Mais cedo, o pai do menino, Leandro Boldrini,
falou por mais de três horas à Justiça. Com um colete à prova de balas, o médico contou sobre como era sua relação com o filho, como foi o
dia da morte do menino e negou participação no crime. "A acusação é falsa, não participei disso", afirmou o médico.
"Fiquei sabendo da morte do Bernardo quando já estava preso", afirmou Leandro. "Quando ela [Graciele] confessou que teve participação...
a polícia me segurou. Sei lá o que iria fazer, senti um descontrole. Chorei e fiquei indignado com ela", completa. Ele defendeu ainda que foi traído por Graciele,
em relação à morte do filho.
O depoimento terminou por volta das 13h50. "Estou preso por uma questão de integridade física, mas
busco a verdade. Me destruíram. Sou inocente", declarou. O senhor poderia fazer um despacho de alvará de soltura e eu iria para casa, lamentar os meus erros como humano.
Todo mundo erra como pai e mãe, mas eu quis fazer o melhor. A mídia está me massacrando, me destruindo por sensacionalismo comercial", completou.