Uma hora após o horário marcado, Leandro Boldrini, pai do menino Bernardo, iniciou seu depoimento por volta das
10h30 desta quarta-feira (27) no fórum da Comarca de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Ele é o primeiro acusado a ser ouvido pelo juiz Marcos Luís
Agostini, que também interrogará a madrasta Graciele Ugulini, a amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, e o irmão Evandro Wirganovicz. Os quatro são réus
no processo e estão presos.
Já dentro da sala, de frente ao juiz, o pai de Bernardo pediu para que a imprensa não participasse da audiência,
o que foi negado. O médico responde por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Após a leitura da
denúncia, as perguntas começaram a ser feitas ao réu.
"A acusação é falsa, não participei disso", disse
Boldrini, em suas primeiras palavras sobre a morte do menino. "Tem laudos periciais provando isso. Fizeram a denúncia baseados na intuição, imaginaram que eu
tivesse participação", completou.
Questionado sobre quem, então, teria participação na morte, o médico respondeu: "os
outros", referindo-se aos outros três denunciados.
Sobre o dia do crime
Sobre o dia do crime, Leandro disse
que sabia que Graciele iria a Frederico Westphalen comprar uma televisão e afirmou que ficou contente. Também disse que ouviu da mulher que levou Bernardo junto para ele
não ficar fazendo barulho e acordar a filha do casal.
"Não sabia que o Bernardo iria junto. Saí do consultório e tentei ligar para a
Graciele, mas vi que o carro dela estava ali na frente. Ela estava carregando o aquário. Recebi uma mensagem dizendo que uma compra foi feita com meu cartão. A TV estava no
banco da frente do carro e ela estava carregando o aquário", afirmou.