Logomarca Paulo Marques Notícias

25/05/2015 | 20:00 | Polícia

Ex-secretária de Boldrini fez obra de R$ 80 mil após morte da mãe de Bernardo

Documentos do Registro de Imóveis da Comarca de Três Passos mostram investimento de Andressa Wagner em imóvel

Documentos do Registro de Imóveis da Comarca de Três Passos mostram investimento de Andressa Wagner em imóvel
Na próxima quarta-feira, dia 27, os réus do Caso Bernardo vão depor em Três Passos (Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS)
A ex-secretária da clínica do médico Leandro Boldrini, Andressa Wagner, fez um investimento num imóvel do programa Minha Casa, Minha Vida e comprou um terreno em Três Passos cerca de oito meses após a morte da mãe do menino Bernardo Uglione Boldrini, Odilaine Uglione, no dia 10 de fevereiro de 2010. Ao todo, os valores chegam a R$ 80 mil. As informações constam em documentos do Registro de Imóveis da Comarca de Três Passos. Procurada por ZH, ela não quis comentar. O seu advogado, Leonardo Salgueiro, disse que o valor foi obtido com empréstimo.
Na semana passada, o juiz Marcos Luís Agostini mandou reabrir o inquérito do suicídio de Odilaine depois de analisar uma série de perícias particulares encomendadas pela defesa da família materna de Bernardo. Um dos laudos dos peritos aponta que a carta de suicídio supostamente escrita por ela foi forjada, e Andressa Wagner é citada como a autora. Ela será investigada.
"As perícias particulares precisam ser confrontadas, especialmente, no que diz respeito aos seguintes aspectos: conclusão de que foi a secretária Andressa Wagner quem confeccionou a carta; e conclusão de que havia terceira pessoa na sala de atendimento no momento do fato. (...) Note-se que, ao atribuir a confecção da carta à secretária, dando a entender que isso foi feito como forma de despistar as autoridades, o perito particular, em verdade, está imputando a ela a participação, de algum modo, no delito de homicídio", salientou o juiz.
Odilaine era casada com Boldrini e, quando morreu, estava se divorciando. Dois dias antes do suicídio, uma quantia de R$ 55 mil foi sacada da conta da clínica – a conta era conjunta. Para analisar essas e outras suspeitas, a Polícia Civil nomeou o delegado Marcelo Mendes Lech, da 2ª DP de Santa Rosa.
A atual delegada de Três Passos, Caroline Bamberg, foi promovida à delegacia regional em Cruz Alta. O inquérito que concluiu que Odilaine cometeu suicídio havia sido feito por ela. Zero Hora entrou em contato com a ex- secretária de Boldrini, Andressa Wagner, que negou ter escrito a carta e disse que não irá se manifestar sobre a compra do imóvel. O seu advogado, Leonardo Salgueiro, argumenta que o imóvel foi financiado:
"(Ela) adquiriu juntamente com seu esposo um terreno para a construção de um imóvel popular em Três Passos. Em setembro de 2010 ela e o esposo contrataram junto a Caixa Econômica Federal um empréstimo, alcançando os depósitos de FGTS que ambos haviam acumulado no curso de suas vidas profissionais, valores totais  em torno de R$ 15 mil. O imóvel foi financiado quase na sua totalidade. Em janeiro de 2012 venderam o imóvel por valor muito superior, quitaram  financiamento com a Caixa Econômica Federal, obtendo um pequeno lucro o qual foi destinado a quitar compra de móveis e outros bens de consumo".
Quanto ao suicídio de Odilaine Uglione, o advogado reitera que ela "cometeu sim ato atentatório tipificado como suicídio. Também, Andressa Wagner nunca escreveu qualquer carta, a suposta 'carta de suicídio', pois esse fato deu-se em fevereiro de 2010, e Andressa havia sido contratada por Boldrini há menos de um mês do fato, e nesse interregno, manteve pouquíssimos contatos com a mesma quando Odilaine esteve na clínica, sem qualquer intimidade sobre a vida privada da mesma."
Fonte: Zero Hora
Mais notícias sobre POLÍCIA