O superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa) no Rio Grande do Sul, Francisco Signor, foi afastado do cargo nesta quarta-feira (13), dia em que a Polícia Federal deflagrou uma operação com
objetivo de desarticular um esquema de corrupção no órgão federal no estado. De acordo com o delegado Aldronei Rodrigues, responsável pela
ação, ele tinha "participação ativa" em atividades criminosas, junto com outro servidor, uma ex-funcionária de cargo em comissão e o
marido dela.
"O superintendente do Mapa está sendo afastado de suas funções. O outro servidor foi afastado de suas funções.
Tomamos um conjunto de medidas para que não haja interferência na formação de provas. O superintendente teve participação ativa no esquema",
afirmou Rodrigues em entrevista coletiva.
A Operação Semilla investiga crimes de corrupção passiva, corrupção ativa,
advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva
em Porto Alegre e Sapiranga, no Vale do Sinos. Mais de R$ 100 mil foram apreendidos.
"Os crimes foram praticados pela cúpula do Mapa no Rio Grande do Sul,
junto com empresários do setor de agroindústria e agropecuária. Esse grupo agia em beneficio de empresas ligadas ao setor mediante à redução
expressiva dos valores das multas aplicadas. Também havia evacuações de processos com autuações, sobrestamento de processos que visavam a
aplicação de autuações. Além disso, foram constatadas algumas agilizações de processos, dependendo de cada situação",
afirmou o superintendente da PF no estado, Elton Manzke.
Algumas empresas eram avisadas previamente de fiscalizações, e o grupo também atuava na
agilização de procedimentos de liberação. "Flagramos pelos meios ele informando uma empresária que não haveria fiscalização
naquela empresa, o que remete à prática corriqueira", disse Aldronei.
A investigação também apontou que houve pagamento de
propina a agentes públicos por uma empresa que prestava serviços em eventos promovidos pelo Mapa. Os valores eram superfaturados e parte do pagamento pelo órgão
era desviada para a conta de uma empresa que, posteriormente, distribuía o dinheiro entre o grupo.
O procurador da República Adriano Raldi destacou que
Signor possui uma empresa de transporte de carga que integra a cadeia produtiva, o que, segundo ele, caracteriza conflito de interesses. "Ele estava à frente do
órgão de fiscalização tendo interesse no próprio mercado", afirmou.