O estofador Irineu Socolosi, de 45 anos,
passa com frequência pelo cruzamento das ruas Doutor Júlio de Mesquita Filho e Cegonhas, no bairro Iririú, em Joinville. Ele conta já ter visto muitos acidentes
no local e, no início da tarde desta sexta-feira, foi a vez dele ser personagem de uma colisão.
Segundo conta (e o vídeo mostra), um
motociclista que seguia pela Júlio de Mesquita tentava entrar na Cegonhas quando cruzou pela frente da Towner do Irineu e os dois acabaram batendo.
— Ele
machucou bastante a perna. Espero que dê tudo certo para ele — lamentou o estofador ao falar sobre o motociclista Luan Bittencourt, de 25 anos.
—
Já vi muitos acidentes aqui. Passo direto na região. Dá muita batida — acrescentou.
Irineu tem razão. Segundo moradores e
comerciantes da região, o cruzamento é conhecido por ser palco de muitos acidentes de trânsito há anos. Tanto que uma família que mora na região
resolveu guardar as imagens das câmeras de segurança da rua toda vez que flagravam uma batida.
Em menos de quatro anos, foram pelo menos 35 registros.
Vizinhos fizeram o mesmo e o resultado é um vídeo com um show (no pior dos sentidos) de acidentes.
— E só pegamos o que vemos. Sem
contar as batidas que ocorrem aos fins de semana, quando não estamos, por exemplo — explica a advogada Greice Berkenbrock, que tem também um escritório
próximo ao cruzamento.
As filmagens mostram todo o tipo de acidente. A maioria envolve motocicletas, mas há também muitas colisões
entre carros. Os moradores reconhecem que em boa parte dos casos o principal motivo é a imprudência, mas acreditam que o fluxo intenso de veículos justifica alguma
providência.
— É muito difícil entrar ou sair destas ruas. O fluxo é intenso. Quem precisa parar para entrar em um comércio ou
para fazer o cruzamento fica tenso — explica o empresário Isaque Campos, que tem uma academia na região.
Ele e outros moradores, como o também
empresário Fabiano Dias Agapito, contam que já procuraram diferentes autoridades, mas nunca conseguiram algum retorno efetivo. Mais recentemente, um vídeo postado das
redes sociais (que você confere aqui), chamou a atenção de vereadores.
— Mandaram fazer um ofício, fizemos. Depois, não tivemos
mais retorno — diz Isaque.
Cansados de não ter respostas a não ser promessas de "análise da situação", os moradores
esperam por uma resposta efetiva.
— Desde que houve a última a mudança de trânsito na região, quando tiraram o sinaleiro da Albano, a
situação piorou. Está difícil para os pedestres atravessarem a rua. Não tem faixa. E há escolas bem próximas. Muitas crianças passam
por aqui — afirma Greice.
— Não queremos que seja necessário acontecer uma tragédia, como a morte de uma mãe em frente a um
Centro de Educação Infantil, como ocorreu no Guanabara, para que algo seja feito — desabafa Isaque.
Sem previsão de
melhorias
O Departamento de Trânsito (Detrans) informa que não está prevista a instalação de sinaleira nesse cruzamento em T,
nas ruas Cegonha e Júlio de Mesquita Filho. Será realizada uma vistoria técnica no local para verificar se há necessidade de reforço na
sinalização existente. A orientação é que os motoristas respeitem os sinais de trânsito no local.