Quando perguntam a Jorginho Hoenicke sobre sua profissão, a reação costuma ser de susto: "Mas você
ganha dinheiro assim? Não é proibido?". Acostumado aos olhares curiosos para quem não é do meio, ele já não se importa mais.
Profissional do pôquer, Jorginho, de 31 anos, é mais um dos muitos jovens que viram no jogo (reconhecido pelo Ministério dos Esportes como uma modalidade
esportiva mental) mais que entretenimento, mas uma possibilidade de sustento. Mas calma: não é do vício que a atividade se realiza. Antes disso, muita
dedicação e concentração são envolvidos para concretizar a profissão.
Jorginho Hoenicke experimentou a vida de jogador
profissional por cerca de dois anos e hoje se dedica a organizar torneios, principalmente pela Associação Jaraguaense Texas Hold'em (AJTH). Assim como ele, a jogadora
profissional Camila Kons, de 24 anos, dedica-se integralmente ao esporte. Ambos têm nas cartas sua profissão, sustento e modo de vida.
Para Camila, a
aproximação com as cartas foi pela televisão e por um um tio, que jogava na associação. Os torneios por diversão começaram a entrar na
rotina, a maioria pela internet, onde inscrições de US$ 0,40 eram a regra. O momento da virada coincidiu com a percepção de que a graduação
escolhida não iria satisfazer seus anseios.
– Eu estudava engenharia química na Universidade Regional de Blumenau (Furb), já estava no quinto
semestre quando larguei e desde então vivo só do pôquer, faz quase cinco anos – conta ela.
A decisão foi apoiada pelos pais, com quem
Camila vive. Ela joga exclusivamente pela internet, no site Poker Stars – um dos maiores portais de pôquer online no mundo. São de 50 a 60 torneios por dia, todos com
inscrições de valores modestos, de no máximo US$ 50.
Camila joga por uma equipe: os gestores pagam a inscrição e um
percentual dos ganhos fica com ela, o resto, com eles.
– Tem um pouco da sorte, eu diria que 30%, mas este é um jogo de habilidade. Se estou confiante,
melhora muito o resultado – avalia.
Visão empreendedora para faturar com o jogo
Por cerca de três anos,
Jorginho também garantiu sua renda como jogador. Ao contrário de Camila, ele optava, principalmente, pelos torneios fora da internet.
– No live, a
gente sente cada jogador, olha no olho. Gosto de lidar direto com as pessoas – conta.
A relação com o pôquer começou em Rio Negrinho,
onde morava. Com a mudança junto à família para Itajuba, Jorginho começou a se dedicar às partidas. Viaja pela região e pelo Estado para os
torneios.
O lado empreendedor ajudou e, com um sócio, assumiu o comando da Associação Jaraguaense de Pôquer, que logo mudou de nome para
Associação Jaraguaense de Texas Hold'em. Pouco tempo depois, mais uma oportunidade: o avanço da internet criou a possibilidade de abrir o Poker SC, site que realiza
torneios online. Já são cinco anos, nos quais o pôquer se tornou sua profissão.
Jorginho, que mora em Guaramirim, ainda joga, principalmente
para divulgar os torneios da AJTH. Toda quarta-feira, o compromisso é certeiro em Jaraguá do Sul: às 20 horas, o Giacomini Garden abre as portas para os torneios
semanais da associação. A cidade também sediou etapas do Torneio Catarinense de Texas Hold'em, organizadas por Jorginho e que devem ocorrer novamente neste
ano.
O profissional ainda atraiu outros membros para o meio. Emerson de Oliveira, 30, é um deles. Jogador de pôquer online por alguns anos, ele conheceu
Jorginho, que lhe propôs o papel de dealer: é dele a incumbência de embaralhar e distribuir as cartas. Há quatro anos, Emerson começou o trabalho, que hoje
realiza em diversos clubes. Já voltou por um curto período para uma fábrica, mas o feltro verde o atraiu de volta. Dealer e jogador online, Emerson é mais um que
deixou o emprego formal pelas cartas e fichas.
– Não me vejo fazendo outra coisa. Eu gosto de trabalhar com as pessoas e gosto de pôquer.
Então é o que faço – resume Jorginho.