Em uma operação realizada no final da noite desta quarta-feira na zona rural de Nova Hartz, na Região
Metropolitana, a Polícia Civil prendeu a principal quadrilha de assaltantes de bancos do Rio Grande do Sul.
Entre os detidos está João
Adão Ramos, o "João das Couves", bandido que tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Integrante da facção "Os
Manos", que comanda parte do crime no Estado de dentro do Presídio Central, ele já havia sido recolhido em 2005 e cumpria pena no regime semiaberto.
Entre as especialidades de Ramos estão a escavação de túneis para roubos a bancos e o uso de explosivos. Foram presos também João Batista
Crisóstomo da Silva e Gabriel Alves Campos.
Um quarto suspeito fugiu. Com eles, a polícia apreendeu quatro fuzis, três dinamites, coletes,
miguelitos, espingardas, farta munição e outros itens usados para estourar caixas eletrônicos. Talões de cheques da Cooperativa de Produção
Agropecuária de Nova Santa Rita (Coopan), atacada na última segunda-feira, estão junto com as armas.
O bando iria atuar nesta madrugada,
possivelmente no Vale do Paranhana, mas acabou impedido após a ação surpresa de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Eles
também saqueavam residências e joalherias.
— Felizmente hoje conseguimos evitar uma explosão e pegar o líder da quadrilha sem dar um
tiro. Foi uma operação cirúrgica — explica o titular da Delegacia de Roubos do Deic, Joel Wagner.
A quadrilha se escondia em um sítio.
Um helicóptero da Polícia Civil ajudou nas prisões. Ramos é contemporâneo de José Carlos dos Santos, o Seco, que comandou uma série de
ataques a carros-fortes no começo dos anos 2000. Questionado por ZH sobre o envolvimento com assaltos, ele se limitou a dizer que saiu na quarta-feira do semiaberto e não sabe
como foi parar no sítio em Nova Hartz.
— Esse indivíduo (Ramos) já ficou até em presídio federal (Catanduvas, PR) e, por
onde passa, deixa seus rastros de violência. Essas detenções tranquilizam a sociedade. Assaltos a bancos com explosivos são uma praga em todo país hoje
— afirma o diretor do Deic, delegado Eduardo de Oliveira César.
A Polícia Civil reconhece que houve um aumento no número de assaltos a bancos e
trabalha para diminuir os índices. Segundo Joel Wagner, é fundamental pegar as lideranças dos bandos, fato que ocorreu nesta madrugada. Mais detenções
devem acontecer nas próximas semanas.
— Precisamos de uma legislação específica quanto ao uso de explosivos. A pena para furto
qualificado é branda para pessoas dessa periculosidade — diz Joel Wagner.