O Tribunal de
Justiça do Rio Grande do Sul definiu a data do interrogatório dos quatro réus do processo criminal que apura a morte do menino Bernardo, assassinado em abril do ano
passado. O pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz serão ouvidos no dia 27 de maio, a
partir das 9h30, no Foro de Três Passos, na Região Noroeste do estado. A data foi anunciada nesta terça-feira (5) pelo Juiz de Direito Marcos Luís Agostini,
titular da Vara Judicial da Comarca.
O corpo do menino de 11 anos foi encontrado enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80
quilômetros de Três Passos, no Noroeste do estado, onde ele residia com a família. Os quatro réus estão presos desde abril de 2014 e aguardam julgamento por
crimes como homicídio qualificado e ocultação de cadáver, entre outros.
Após o interrogatório, as defesas apresentam seus
argumentos. Ao final, o juiz terá quatro opções: sentença de pronúncia (os réus vão ser julgados em júri popular), sentença de
impronúncia (o magistrado considera que não há prova da existência do fato ou indícios de autoria e o processo é arquivado),
absolvição sumária (réus inocentados) e desclassificação (em discordância do juiz com a acusação, o caso acaba sendo julgado em
vara criminal).
RELEMBRE O CASO
- Bernardo Boldrini foi visto vivo pela última vez no dia 4 de abril de 2014 por um
policial rodoviário. No início da tarde, Graciele foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os
municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar
(CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
- Um vídeo divulgado em maio do ano passado mostra os últimos momentos de Bernardo. Ele aparece
deixando a caminhonete da madrasta, Graciele Ugulini, e saindo com ela e com a assistente social Edelvânia Wirganovicz. Horas depois, as duas retornam sem Bernardo para o mesmo
local.
- O corpo de Bernardo foi encontrado no dia 14 de abril de 2014, enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen.
- Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem do sedativo midazolan. Graciele e Edelvânia teriam dado o remédio que
causou a morte do garoto e depois teriam recebido a ajuda de Evandro para enterrar o corpo. A denúncia do Ministério Público apontou que Leandro Boldrini atuou no crime
de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em
comprimidos, fornecendo a receita. A defesa do pai nega.
- Em vídeo divulgado pela defesa de Edelvânia, ela muda sua versão sobre o crime. Nas
imagens, ela aparece ao lado do advogado e diz que a criança morreu por causa do excesso de medicamentos dados pela madrasta. Na época em que ocorreram as prisões,
Edelvânia havia dito à polícia que a morte se deu por uma injeção letal e que, em seguida, ela e a amiga Graciele jogaram soda cáustica sobre o
corpo. A mulher ainda diz que o irmão, Evandro Wirganovicz, é inocente.