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07/05/2026 | 19:31 | Política

Lula diz que reunião com Trump tratou sobre crime organizado e terras raras, e destacou boa relação

Encontro entre os dois presidentes durou mais de três horas. Em postagem, norte-americano definiu petista como ''dinâmico''

Encontro entre os dois presidentes durou mais de três horas. Em postagem, norte-americano definiu petista como ''dinâmico''
Trump e Lula em foto divulgada após a reunião. Ricardo Stuckert / Presidência da República/Divulgação

Comércio, terras raras, crime organizado e até Copa do Mundo foram alguns dos assuntos debatidos no longo encontro de mais de três horas entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7). 

O norte-americano não realizou coletiva de imprensa, mas poucos minutos após o fim da reunião publicou uma mensagem. Na Truth Social, Trump definiu Lula como um presidente "dinâmico". O republicano também informou que foram discutidos temas diversos, como comércio e, "especificamente, tarifas".

Trump também afirmou que representantes dos dois países já agendaram reuniões para discutir outros "pontos-chave".

"Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas. A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", escreveu Trump.

Um pouco mais tarde, em coletiva de imprensa, Lula disse que saiu da reunião com a ideia de que foi dado um passo importante na relação democrática com os EUA. Um dos assuntos do encontro, segundo o petista, foi o combate ao crime organizado: 

— Eu disse para ele que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, da América Latina e, quiçá, com todos os países do mundo, para a gente criar um grupo forte de combate ao crime organizado. Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. O Brasil tem uma experiência no combate às drogas, no combate ao tráfico de armas, e também é importante saber que parte das armas que chegam no Brasil saem dos Estados Unidos.

Apesar disso, a possível classificação de facções como organizações criminosas não foi discutida. Lula também falou que foram abordados temas como minerais críticos e comércio. 

— Sabemos é que as chamadas terras raras e os minerais críticos são muito importantes, sobretudo na questão dos armamentos dos países. O que nós dissemos para os Estados Unidos é que nós não temos veto a nenhum país que queira participar com o Brasil. O Brasil tem a obrigação de ter uma regulamentação em que o Brasil seja soberano. O Brasil tem a obrigação de compartilhar com quem queira participar conosco. O que não queremos é ser meros exportadores dessas coisas.

O brasileiro também brincou com a fotografia em que o presidente dos EUA aparece sorrindo:

— Eu saio muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. Eu acho que o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto.

Outros temas

Após explanação na coletiva de imprensa, Lula respondeu a questionamentos dos jornalistas. Ao tratar sobre conflitos, falou:

— Ele (Trump) acha que a guerra já acabou. Não é real. Mas ele acha, eu não vou ficar brigando com ele por causa da visão que ele tem da guerra. Ele acha que na Venezuela está tudo resolvido. Eu espero que esteja, porque eu lido com a Venezuela desde 2002. Eu espero que a Venezuela resolva os seus problemas, porque o povo venezuelano precisa ter uma chance na vida de viver bem.

Segundo o brasileiro, os dois até brincaram sobre a Copa do Mundo que será realizada neste ano. Os EUA é um dos países sede:

— Ele perguntou da Copa do Mundo, se a seleção brasileira estava boa. E eu falei: "você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros. Por favor, não faça isso porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo". E ele riu, porque agora ele vai rir sempre.

Questionado sobre opiniões políticas diferentes e até antigos insultos trocados entre ele e Trump, Lula enfatizou:

— Olha, se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições. Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país. É o princípio básico para que a gente não permita a ocupação cultural, política e a soberania de um outro país. Eu penso que a nossa relação com o Trump é uma relação sincera.

Lula disse que espera que a boa "química" continue:

— Sabe aquela história, amor à primeira vista? É o negócio da química. É isso que aconteceu. E eu espero que continue assim.

Ainda, uma lista com os nomes dos brasileiros que ainda estão impedidos de entrar nos Estados Unidos foi entregue a Donald Trump por Lula:

— Entreguei para ele a lista dos nomes brasileiros que ainda continuam proibidos de entrar nos Estados Unidos, as nossas autoridades constituídas. Como foi aprovada a (o projeto de Lei dadosimetria no Congresso Nacional, vai diminuir a pena de todo mundo, quem sabe o Trump reconheça a necessidade de liberar o visto dos brasileiros que não estão permitindo entrar aqui.

Presença de ministros

Além dos dois presidentes, participaram da reunião os representantes do Brasil e dos Estados Unidos. Pelo lado brasileiro, participaram o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Justiça e Segurança, Welington Lima e Silva, da Fazenda, Dario Durigan, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. 

Pelo lado norte-americano, participaram o vice-presidente, JD Vance, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, do Comércio, Howard Lutnick, a chefe de Gabinete, Susie Wiles, e o representante comercial, Jamieson Greer.

Na embaixada do Brasil em Washington, em atendimento à imprensa, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterou que a reunião foi produtiva:

— Foram basicamente discutidos os temas relativos ao comércio bilateral e a questão das tarifas impostas pelo governo americano em detalhes. Foram discutidas questões relativas à cooperação em crimes transnacionais, combate ao crime organizado. Também discutimos questões relativas aos minerais críticos e tudo isso se desenvolveu num clima muito positivo, muito amistoso.

O ministro da Justiça e Segurança, Welington Lima e Silva, afirmou que os presidentes trataram da temática crime organizado:

— O presidente Trump, com extrema deferência, ouviu e discutiu com toda a sua equipe atenciosamente no que diz respeito especificamente ao crime organizado, nós anunciamos, compartilhamos com ele as nossas ideias que estão acontecendo, ele fez várias referências elogiosas. 

O encontro

Após cerca de três horas de reunião com Donald Trump, Lula deixou a Casa Branca. Os presidentes não atenderam a imprensa, como estava previsto no cronograma inicial.

Lula chegou à Casa Branca às 12h12min, foi recebido por Trump e ambos seguiram para uma sala reservada com suas delegações. Depois, seguiram diretamente para um almoço e continuaram conversando. Por volta das 15h10min, o presidente brasileiro deixou a Casa Branca.

No perfil do governo federal no Instagram uma postagem diz que "Brasil e EUA sempre foram parceiros e mantêm uma relação de amizade e respeito há mais de 200 anos", e que os dois "trataram de temas importantes para os dois países e para o mundo".

Fonte: GZH
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