A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou
queima de pneus na noite desta quarta-feira (22) em três pontos da BR-285 em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Ninguém foi encontrado nos locais, mas a suspeita da
corporação é de que caminhoneiros estejam por trás dos atos.
A categoria prometeu novas paralisações em todo o país a
partir da 0h desta quinta-feira (23) após uma reunião nesta quarta com o governo federal, em Brasília, terminar sem acordo. Os caminhoneiros exigiam que um valor
mínimo para o frete fosse fixado, o que foi descartado pelo governo.
A queima de pneus ocorre às margens da rodovia nos km 453 (aeroporto), 458 (Bom
Pastor) e 464. Não havia ninguém nos locais, mas a PRF diz que está investigando quem foram os responsáveis pelos atos. Não há
interrupção do trânsito nos trechos.
Segundo a PRF, a suspeita recai sobre os caminhoneiros porque o mesmo procedimento foi adotado pela categoria
nos protestos de fevereiro, quando os motoristas se mobilizaram e impediram a passagem de veículos de carga em rodovias por todo o país – o Rio Grande do Sul foi um dos
estados mais afetados.
Reunião em Brasília
Os caminhoneiros e o governo federal não se entenderam em
relação ao preço do frete, que é uma das principais reivindicações da categoria. Os motoristas queriam uma tabela com valores mínimos, o que
foi descartado pelo governo.
Pelo menos um ônibus com caminhoneiros gaúchos participou do encontro na Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT), na capital federal. Sem acordo, eles dizem que vão retomar a greve.
“A partir da meia-noite de hoje, o Brasil vai parar. E vai mostrar que existe
possibilidade do governo reassumir o seu compromisso com a população de defender aquele que mais precisa de governo”, afirmou Carlos Alberto Litti Damer, do Sindicato
dos Caminhoneiros Autônomos de Ijuí.
Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, o tabelamento impositivo do
frente “não tem apoio constitucional e é impraticável”, devido, por exemplo, às diferenças na qualidade das estradas e dos tipos de cargas
transportadas nos diversos pontos do país. Ele diz que o governo não acredita na greve, mas que vai monitorar a situação.
“Nós vamos acompanhar como sempre acompanhamos, mas por conta das conquistas que são reais, objetivas, que melhoram a qualidade de vida dos caminhoneiros, dos
trabalhadores. Nós estamos seguros de um amplo apoio por parte da categoria a essas medidas e um processo permanente de negociação para a promoção de
conquistas futuras da categoria e melhoria do setor”, disse Rossetto.