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15/04/2015 | 04:53 | Polícia

Carta da mãe de Bernardo foi escrita por funcionária do marido, diz perícia

Família de Odilaine Uglione quer reabrir investigação sobre suicídio

Família 

de Odilaine Uglione quer reabrir investigação sobre suicídio
Carta de suicídio da mãe do menino Bernardo foi forjada, dizem peritos (Foto: Reprodução/TV Globo)
Pouco mais de duas semanas após a divulgação de que a suposta carta suicida de Odilaine Uglione, mãe de Bernardo Boldrini, havia sido forjada, uma nova perícia particular apontou a autoria do texto. Uma funcionária da clínica de Leandro Boldrini, ex-marido da mulher e pai do menino, teria escrito a carta, segundo o advogado da avó do garoto.
A mãe de Bernardo foi encontrada morta em 2010, dentro da clínica do então marido na cidade de Três Passos, no Noroeste gaúcho. À época, a investigação da polícia concluiu que ela cometeu suicídio com um revólver, mas a defesa da mãe dela, Jussara Uglione, quer reabrir o caso.
“Já era sabido que não era uma carta da Odilaine, mas agora apontou-se a autoria. Ficou evidentemente provado, com critérios científicos, que não foi a Odilaine que escreveu, mas uma pessoa subordinada hierarquicamente ao então esposo dela na época”, disse ao G1 o advogado Marlon Taborda.
O pai de Bernardo está preso há um ano e é réu pela morte do menino, encontrado sem vida no dia 14 de abril de 2014 em Frederico Westphalen, a cerca de 80 km de Três Passos, onde a família residia.
Também são acusados pela morte do menino de 11 anos a madrasta do garoto, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. Os quatro respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, entre outros crimes.
A suposta carta suicida teria sido escrita em 9 de fevereiro de 2010. Conforme Taborda, a nova perícia contratada por Jussara Uglione é resultado de uma série de estudos iniciados em outubro do ano passado, que analisaram e compararam a grafia do texto.
O advogado sustenta que os últimos exames constataram que a letra escrita na carta seria da secretária de Boldrini. Em março, outra perícia, também contratada pela avó do menino, já teria indicado que a letra não era de Odilaine.
Com as novas provas, a defesa espera que o caso seja reaberto. “Isso muda tudo. Já apresentamos às autoridades judiciais e ao Ministério Público, e eles devem dar uma resposta para a sociedade. A nossa expectativa é que as autoridades acolham os pedidos acumulados de reabertura e investigue todas as linhas”, acrescentou o advogado.
Relembre o caso
- Bernardo Boldrini foi visto vivo pela última vez no dia 4 de abril de 2014 por um policial rodoviário. No início da tarde, Graciele foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
- Um vídeo divulgado em maio do ano passado mostra os últimos momentos de Bernardo. Ele aparece deixando a caminhonete da madrasta, Graciele Ugulini, e saindo com ela e com a assistente social Edelvânia Wirganovicz. Horas depois, as duas retornam sem Bernardo para o mesmo local.
- O corpo de Bernardo foi encontrado no dia 14 de abril de 2014, enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen.
- Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem do sedativo midazolan. Graciele e Edelvânia teriam dado o remédio que causou a morte do garoto e depois teriam recebido a ajuda de Evandro para enterrar o corpo. A denúncia do Ministério Público apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita. A defesa do pai nega.
 - Em vídeo divulgado pela defesa de Edelvânia, ela muda sua versão sobre o crime. Nas imagens, ela aparece ao lado do advogado e diz que a criança morreu por causa do excesso de medicamentos dados pela madrasta. Na época em que ocorreram as prisões, Edelvânia havia dito à polícia que a morte se deu por uma injeção letal e que, em seguida, ela e a amiga Graciele jogaram soda cáustica sobre o corpo. A mulher ainda diz que o irmão, Evandro Wirganovicz, é inocente.
Fonte: G1
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