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24/03/2015 | 17:34 | Geral | Três de Maio

Dia de Campo destacou importância da cultura conservacionista

Evento apresentou as principais novidades em variedades de sementes e evidenciou, através de exemplo prático, a importância do plantio em contorno

Evento apresentou as principais novidades em variedades de sementes e evidenciou, através de exemplo prático, a importância do plantio em contorno
Foto: Ivana Tisott Ritt/SETREM
A SETREM foi sede, no dia 20 de março, do Dia de Campo Culturas de Verão, evento realizado em parceria com COTRIMAIO, EMATER-RS/ASCAR e SICREDI, com apoio da Embrapa Trigo, Embrapa Soja, Pioneer, Coodetec, TMG, CCGL TEC, Syngenta, Brasmax, Nidera e Fundação Pró-Sementes. O evento reuniu mais de 300 pessoas e transcorreu na Área Experimental do Campus SETREM, dividido em cinco estações. Em duas delas, técnicos da empresas apoiadoras apresentaram as principais cultivares de soja que atualmente são oferecidas aos produtores na região Fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul. As outras três estações foram apresentadas por profissionais da Embrapa Trigo.
O manejo integrado de pragas foi o tema da estação apresentada pelo pesquisador Alberto Luis Massaro Júnior. “Mostramos que utilizando o manejo integrado de pragas é possível ao produtor reduzir o número de aplicações, posicioná-las no momento mais adequado e, assim, garantir uma aplicação mais eficiente dos produtos. Mostramos como funciona o manejo, as ferramentas e as bases deste manejo integrado, principalmente quanto à amostragem – como fazer e quantas fazer por hectare, níveis de controles e presença de inimigos naturais de controle. O objetivo é que com este conhecimento o produtor possa utilizar um manejo integrado de pragas que permita preservar inimigos naturais, usar menos produtos químicos, fazer menos aplicações, mas em momentos mais adequados, e evitar o uso de produtos preventivos e suas misturas, que só complicam a situação do manejo a longo prazo, o que pode selecionar uma população de insetos resistentes a esses produtos e aumenta a dificuldade de manejo. Se o produto perder eficiência, a situação pode complicar”, destaca.
Mércio Luis Strieder, também pesquisador da Embrapa Trigo, apresentou os resultados locais obtidos dentro do projeto sucessão trigo- soja, abordando a importância do trigo como cultura de inverno para a sustentabilidade da soja na sequência. “Também tratamos de fenologia de cultura, ou seja, do uso de cultivares em diferentes épocas de semeadura, o que exige decisões quanto a isso devido a infinidade de opções facultadas ao produtor no momento de escolha. Ao mesmo tempo em que há grande oferta de cultivares, mais adequadas para uma determinada época ou outra, destacamos, por exemplo, que semeaduras realizadas no mês de outubro aumentam o ciclo de 25 a 30 dias e, ao mesmo tempo, muitas têm crescimento prejudicado e ocasionam redução de até 20% no rendimento”, explica Strieder.
Importância do plantio em contorno
O pesquisador da Embrapa Trigo José Eloir Denardin apresentou práticas da agricultura conservacionista, demonstrando que a palha é útil, mas não unicamente a solução para o problema da lavoura, pois sozinha não consegue evitar a enxurrada. “Este é o Ano Internacional do Solo e apresentar no Dia de Campo uma estação chamada ‘Agricultura Conservacionista e a disponibilidade de água’, é importante. Mostramos que em um solo com enorme cobertura, de 8 a 10 toneladas de palha por hectare, é capaz apenas de controlar o impacto da gota de chuva, mas não de controlar a enxurrada que ocorre por baixo desta palhada. O plantio morro abaixo não impede a enxurrada e a água que sai da lavoura estará, dentro de duas ou três horas, no banhado ou no rio, levando 40% dos fertilizantes e o calcário. Essa água deveria levar de três, quatro ou até seis meses para chegar ao rio, se houvesse infiltração correta, e isso é possível através do plantio em contorno que, apoiado por terraços, gera infiltração e pouca perda de água. Em contorno, cada linha de plantio se torna um mini terraço para controlar a enxurrada e a água se torna água útil à agricultura”, detalha.
Simulação mostra resultados na prática
A demonstração aos produtores, técnicos e acadêmicos da diferença entre plantio morro abaixo e plantio em contorno foi feita pelo o analista de transferência de tecnologia e comunicação da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski. “Na Área Experimental da SETREM instalamos dois quadrados de ferro enterrados 10 cm no solo, com calha coletora que faz com que o excesso de área que não infiltra no solo escorra dentro de baldes. A área foi coberta com palha, simulando a situação de lavoura com bastante palhada, de seis a sete toneladas/hectare, com mesmo nível de compactação do solo. Foram feitos plantios simulados em 15 cm de profundidade e espaçamento de 35 cm entre linhas. Simulamos uma chuva na ordem de 120mm/hora. A única variável foi o tipo de plantio: morro abaixo x em contorno. Ficou evidente que, morro abaixo, a água não infiltra, sai bem mais cedo da roça e em bem maior quantidade do que no outro lado, que também sai água, mas bem mais tarde e em menor quantidade. No caso do plantio em contorno, o solo mantem-se mais fértil, preserva os fertilizantes aplicados e é capaz de oferecer água e nutriente para a raiz da planta. Se tenho água armazenada no solo, é útil para a agricultura”, reforça Lemainski.
 Parcerias visam soluções aos produtores
 “A Embrapa é o centro de inteligência para gerar soluções tecnológicas para o desenvolvimento da agricultura brasileira e a SETREM trabalha na formação e educação para a inteligência das pessoas, para viabilizar solução de problemas que as profissões requerem. A Embrapa está presente em Três de Maio, na SETREM, com experimentos que potencializam as possibilidades de oferecer soluções locais dentro desse complexo que é fazer agricultura. Tenho colocado que na agricultura a planta é o sujeito, o solo é o objeto e tudo que se faz é buscando potencializar o que a planta pode produzir, seja biomassa, seja grão. Ter um campo experimental junto à Instituição permite alianças estratégicas em que a região é que sai ganhando. É importante para os municípios, para a SETREM e para a Embrapa fazer alianças estratégicas para contribuir com o desenvolvimento saudável da agricultura e das pessoas. Em nosso entender é parceria ganha-ganha, seja como aspecto pedagógico que dá referência a toda massa educacional que vem à SETREM pela sua tradição, e quem sai beneficiado é a agricultura, as ciências agrárias e o capital humano que daqui sai”, complementa Lemainski.
Classificação é fundamental
Sergio Roberto Dotto, Chefe Geral da Embrapa Trigo, prestigiou o Dia de Campo, destacando a importância das parcerias para realização de pesquisas específicas na região, gerando resultados com base em dados colhidos aqui. “Considerando cereais de inverno, a região Noroeste é responsável por 60% da produção no Estado, onde se produz também o trigo de melhor qualidade, com período mais quente e mais seco. Estamos procurando viabilizar cultura do trigo através de uma exportação para outros estados ou outros países. Será que não podemos exportar para a África, que tem todo seu trigo importado? Ou então para o Oriente Médio? Afinal, por que não exportamos? Qualidade temos, então, é só o produtor começar a procurar as variedades de acordo com o que o mercado exige. Cooperativas e cerealistas podem colocar sementes de acordo com a variedade exigida pelo mercado para quem vai vender, um mercado dirigido. O trigo é classificado por classes, de acordo com seu destino, como para panificação, com determinadas características específicas. Nosso trigo no Rio Grande do Sul tem dificuldade de agregação de valor pois tem muita mistura de classes. Quando tenho trigo classificado, segregado por classe, a liquidez é bem maior. Temos que mudar a cultura no RS e é isso que estamos trabalhando junto às entidades e produtores”, conclui Dotto.
Fonte: Assessoria de Comunicação da SETREM
Evento apresentou as principais novidades em variedades de sementes e evidenciou, através de exemplo prático, a importância do plantio em contorno
Foto: Ivana Tisott Ritt/SETREM
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