01/02/2025 | 05:24 | Polícia
Caso aconteceu em 2022, em Porto Alegre. Conforme a Polícia Civil, ela buscava esconder a gravidez e a relação que mantinha com o então cunhado, pai da criança
Uma mulher de 21 anos foi presa preventivamente nesta sexta-feira (31), suspeita de assassinar o filho recém-nascido e abandonar o corpo em meio a arbustos no bairro Medianeira, na zona sul de Porto Alegre.
O caso aconteceu em 2022, porém, após prestar esclarecimentos à Polícia Civil na época, a mulher se escondeu na região rural de Cerro Grande do Sul. Logo depois de ser localizada, ela foi capturada nesta sexta-feira no município do sul do RS.
Conforme o delegado Luciano Rodrigues, da Delegacia de Tapes — município próximo a Cerro Grande do Sul —, havia um mandado de prisão preventiva ativo contra a mulher, o que justificou as diligências. O documento havia sido expedido pela Vara do Júri da Capital.
A mulher está detida na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. A suposta assassina não tinha antecedentes criminais.
Em 19 de janeiro de 2022, uma equipe de limpeza urbana, que realizava melhorias na Rua Ponche Verde, no bairro Medianeira da Capital, encontrou o corpo de um bebê recém-nascido, já desfalecido, abandonado em meio a arbustos da via pública.
O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil deu início, então, às investigações. Foi a partir de uma denúncia anônima que foi possível identificar a suspeita, esclarece o delegado.
— Uma denúncia anônima informou que uma paciente internada em um hospital teria relatado aos médicos que seu bebê nasceu prematuro e ela colocou no lixo — afirma Luciano Rodrigues.
Após dois depoimentos à polícia, a mulher confessou a autoria do crime, relatando ter descartado o bebê no lixo. Ela disse ainda que a motivação para deixar o recém-nascido na rua teria sido para ocultar da família a existência do bebê e da relação que mantinha com o então cunhado, pai da criança.
O caso gerou duas investigações na polícia. A primeira correu em Porto Alegre e trata da morte do bebê. O inquérito foi concluído por equipes do DHPP meses depois do crime vir à tona.
A Polícia Civil, então, remeteu o caso ao Ministério Público (MPRS), que posteriormente ofereceu denúncia ao Judiciário, que acatou o parecer. Com isso, a mulher passou a ser considerada ré por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Durante a investigação sobre a morte do bebê, depois de constituir defesa, a suspeita se dirigiu até a Delegacia da Mulher (Deam) e alegou um suposto estupro pelo então cunhado, pai da criança. O abuso, conforme ela, teria ocorrido em Cerro Grande do Sul, o que abriu mais um inquérito policial — esse no município do sul do Estado.
— Alegou muito provavelmente para tentar uma tese de defesa em eventual julgamento. Porém, apurou-se que as relações entre a suspeita e o cunhado foram consensuais — contextualizou o delegado.
O inquérito sobre o suposto estupro foi concluído sem indiciamentos. O Ministério Público concordou com o relatório, pedindo arquivamento desse desdobramento do caso.