24/01/2025 | 17:42 | Polícia
Alimento estava contaminado com terbufós, uma substância tóxica semelhante ao chumbinho. Principal suspeito é Francisco de Assis Pereira da Costa, padrasto de uma das vítimas. Ele está preso desde 8 de janeiro
Mais uma das vítimas do arroz envenenado no Piauí, Maria Jocilene da Silva, 32 anos, morreu nesta sexta-feira (24). A informação foi divulgada ao portal g1 pelo Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (Heda), localizado em Parnaíba, no litoral do Estado. A causa da morte ainda está sob investigação, mas se confirmada a relação com o alimento envenenado, será a sexta morte relacionada ao caso.
Horas antes, o boletim médico informou que ela se encontrava em estado gravíssimo na UTI. Maria Jocilene foi novamente hospitalizada na última quarta-feira (22), 20 dias após ter recebido alta, relacionada ao episódio do arroz envenenado ocorrido no dia 1º de janeiro.
No boletim divulgado nesta sexta-feira, o hospital informou que a paciente estava sendo submetida a "exames complementares adicionais" e que mantinha contato contínuo com o Instituto de Medicina Legal (IML) para apurar o que causou sua nova internação.
Em nota, o Heda lamentou profundamente o falecimento da paciente e afirmou que o corpo será encaminhado ao IML para perícia.
Maria Jocilene é uma das pessoas que consumiram o arroz envenenado no dia 1º de janeiro. Na ocasião, ela recebeu alta no dia seguinte. Na quarta-feira (22), enquanto visitava o local onde o crime ocorreu, passou mal, foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada novamente ao Heda.
Família envenenada
Cinco integrantes de uma mesma família morreram após ingerirem o arroz envenenado. O principal suspeito é Francisco de Assis Pereira da Costa, padrasto de uma das vítimas.
Costa foi hospitalizado junto com os demais familiares, apresentando sintomas de envenenamento, mas recebeu alta no mesmo dia e está preso temporariamente desde 8 de janeiro. A polícia suspeita que ele fingiu estar doente e consumiu apenas arroz sem o veneno.
Um laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) revelou que o arroz estava contaminado com terbufós, uma substância tóxica semelhante ao chumbinho, usada em pesticidas cuja venda é proibida no Brasil.
Francisco de Assis nega envolvimento no envenenamento, mas admitiu sentir "nojo e raiva" da enteada e não gostar dos filhos dela.
A polícia apontou contradições nas declarações do suspeito e destacou que ele apresentou diferentes versões sobre o ocorrido, divergindo dos depoimentos de outros familiares.