19/12/2024 | 05:16 | Polícia
Detidos em Porto Alegre e em Novo Hamburgo, eles cobravam valores para não depredar estabelecimentos comerciais
Dois homens suspeitos de praticar uma série de crimes de extorsão contra empresários do Vale do Sinos foram presos preventivamente na tarde desta quarta-feira (18) pela Polícia Civil. Eles foram detidos em Porto Alegre e em Novo Hamburgo. Ambos também são suspeitos de participar de uma facção criminosa. Os nomes não foram divulgados.
Um dos homens, de 37 anos, foi localizado em casa, no Bairro Canudos. O outro, de 40 anos, já se encontrava recolhido na Penitenciária Estadual de Porto Alegre (Pepoa) e teve novo mandado de prisão cumprido contra ele.
Conforme o delegado Ayrton Figueiredo, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, os homens procuravam empresas geralmente próximas da BR-116, nos municípios de Estância Velha e Novo Hamburgo.
— Depois, procuravam um contato de WhatsApp das empresas e pediam para conversar com um gerente ou proprietário. A partir daí estabeleciam um diálogo dizendo que estavam oferecendo segurança, um arrego. Eles também falavam que todos os demais empresários do ramo estariam pagando para eles pela segurança e que todo e qualquer empresário que não pagasse sofreria consequências, teriam sua casa e empresa depredadas — contextualiza.
Os valores variavam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Os suspeitos têm antecedentes criminais por porte de arma de uso restrito, roubo, assalto, receptação de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo o delegado, a prisão da dupla é um desdobramento da Operação Timeo, deflagrada em 2021, que mira um grupo criminoso suspeito de realizar extorsões e lavagem de dinheiro no Vale do Sinos, deixando vítimas sobretudo nos municípios de Estância Velha e Novo Hamburgo.
Desde o começo da ação, mais de 40 inquéritos policiais foram instaurados para investigar a atuação da quadrilha. O último foi aberto em fevereiro e redundou nas prisões desta quarta-feira.
O mais jovem dos suspeitos presos nesta tarde é apontado na investigação por fazer os contatos com os empresários para exigir as quantias para garantir a "segurança" dos estabelecimentos e não realizar danos patronais às vítimas.
O outro, que havia sido preso na primeira fase da operação e já estava no sistema prisional, é apontado como líder do esquema. Ele organizava indivíduos que estão em liberdade para realizar as cobranças das extorsões e recebia os valores referente aos crimes em contas pessoais ou de terceiros.