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30/11/2024 | 07:18 | Polícia

MP denuncia por feminicídio qualificado médico do Samu suspeito de matar a esposa em Canoas

André Lorscheitter Baptista teria utilizado medicamentos desviados durante um plantão para causar a morte da mulher. Ele está preso. Inquérito sobre participação de equipe do serviço de urgência em alteração da cena do crime foi arquivado

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou por feminicídio qualificado o médico André Lorscheitter Baptista, 48 anos. Ele é suspeito de matar a esposa Patrícia Rosa dos Santos, 41 anos.

A denúncia foi oferecida nesta sexta-feira (29), pelo promotor de Justiça Rafael Russomanno Gonçalves. O crime aconteceu no dia 22 de outubro no apartamento da vítima, em Canoas, na Região Metropolitana. O suspeito foi preso no dia 29 de outubro e segue detido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).

Com base no inquérito policial e a partir dos indícios e demais elementos de prova colhidos na investigação, o promotor entendeu que “há evidências de que o indiciado ministrou medicamento sedativo na companheira e, depois, com ela já desacordada, os demais fármacos identificados em laudo pericial, que lhe causaram a morte por asfixia medicamentosa”.
A denúncia aponta também que o crime foi praticado com emprego de meio insidioso (fármacos) e de recurso que dificultou a defesa da vítima (pela dissimulação), ante a utilização de medicamentos potencialmente letais, de forma a que a vítima não percebesse a ação. Também foi considerado o fato de que a vítima deixou um filho menor de idade, situação que agrava a conduta do acusado.

O médico também foi denunciado por crime de fraude processual, tendo em vista as circunstâncias de remoção do corpo e de outros objetos relacionados ao fato para local diverso e alteração da cena do crime.

O inquérito referente aos integrantes de equipe do Samu, que também foram indiciados, foi arquivado. O entendimento é de que agiram induzidos a erro pelo suspeito, sem a intenção de obstaculizar a investigação policial.

Investigação

De acordo com a Polícia Civil, Baptista colocou remédio em um sorvete para fazer Patrícia dormir. Depois, teria administrado uma medicação para que a esposa não sentisse dor e injetado outro remédio para matá-la. O laudo da perícia divulgado no dia 25 de novembro apontou presença de dois sedativos no organismo da vítima.

No dia 1º de novembro, o Samu de Porto Alegre apontou que um frasco de sedativo foi furtado durante um plantão de Baptista.

Conforme nota enviada pela Secretaria Municipal da Saúde da Capital, o furto aconteceu às 7h do dia 21, na véspera da morte de Patrícia. Neste horário, o médico estaria fazendo a troca do plantão. Ele trabalhava para uma empresa terceirizada que prestava serviços ao Samu da Capital e de Canoas.

Durante a investigação, a Polícia Civil realizou uma operação no prédio onde seria o consultório do médico. No local, que fica no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, foram encontradas caixas de medicamentos, incluindo ampolas de sedativos e relaxante muscular. Essas substâncias teriam sido injetadas na vítima.

Procurado pela reportagem de Zero Hora, o advogado Luiz Felipe Magalhães, responsável pela defesa de André Lorscheitter Baptista, afirmou que irá analisar a denuncia antes de se manifestar.

Fonte: GZH
André Lorscheitter Baptista teria utilizado medicamentos desviados durante um plantão para causar a morte da mulher. Ele está preso. Inquérito sobre participação de equipe do serviço de urgência em alteração da cena do crime foi arquivado
Patrícia Rosa dos Santos, 41, morreu no dia 22 de outubro. Arquivo pessoal / Arquivo pessoal
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