25/11/2024 | 08:09 | Polícia
Julgamento de Marcelo de Oliveira Bueno, 43 anos, está previsto para ocorrer no próximo dia 17, na Capital. Débora Forcolén, 18, foi assassinada em maio de 2018, no bairro Farrapos
O julgamento de Marcelo de Oliveira Bueno, 43 anos, pelo assassinato de Débora Forcolén, 18, foi reagendado. O júri está previsto para ocorrer no dia 17 de dezembro, a partir das 9h. A jovem foi morta em maio de 2018, com um disparo no rosto, no bairro Farrapos, na zona norte de Porto Alegre.
Companheiro da vítima, Bueno chegou a ser preso na época, mas atualmente responde ao processo em liberdade. O Ministério Público (MP) denunciou o empresário pelo feminicídio, crime pelo qual ele deve ser julgado. A acusação entende que ele matou a vítima, num contexto de violência doméstica. A defesa alega que ele disparou a pistola de forma acidental.
O julgamento deveria ter ocorrido no mês de outubro, no entanto, houve divergência entre acusação e defesa, após a apresentação de uma prova por parte do MP. A acusação juntou ao processo um vídeo chamado de “reprodução simulada do MP”, baseado em laudos periciais e com uso de inteligência artificial. O Judiciário inicialmente recusou o uso dessa prova pela acusação, mas o MP recorreu da decisão, conseguindo obter autorização para utilizar a mídia.
No início deste mês, o juiz Marcelo Lesche Tonet, da 2º Juizado da 3ª Vara do Júri, definiu uma nova data para o julgamento. Na mesma decisão, ele negou o pedido da defesa para que uma nova reconstituição dos fatos fosse realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
O magistrado permitiu, no entanto, que a defesa possa utilizar no julgamento um vídeo similar ao apresentado pelo MP, contendo a versão do réu de como teria se dado o disparo. O juiz determinou, por fim, que sejam disponibilizados pela Procuradoria-Geral do Município todos os áudios de ligações realizadas à Brigada Militar (190) e ao Corpo de Bombeiros (193) referentes ao fato.
Inicialmente, serão sorteados os nomes dos sete jurados que vão integrar o Conselho de Sentença. Na sequência, serão ouvidas as testemunhas: são cinco pela acusação.
Uma das testemunhas que será ouvida é a delegada Roberta Bertoldo, que investigou o caso na época. A defesa não indicou nenhuma testemunha para ser ouvida.
Após, será interrogado o réu, que pode optar por permanecer em silêncio ou apresentar a sua versão de como se deu a morte de Débora. A defesa de Bueno sustenta que o empresário pegou a arma emprestada por ter sofrido alguns dias antes um furto numa área que mantinha na Região das Ilhas.
Na época, o empresário alegou que estava limpando a arma, retirou o carregador da pistola calibre 380 próximo da vítima e pressionou a arma, sem saber que havia uma bala na câmara. Com isso, o tiro atingiu a mulher e a matou.
A acusação discorda da versão apresentada pelo empresário de que disparou a arma de forma acidental. Segundo a família de Débora, a jovem vivia uma relação conturbada e já havia apresentado sinais de agressões físicas. Uma semana antes da morte, ela esteve na casa da mãe e, de acordo com familiares, estava com um olho roxo.
Encerrada a etapa dos depoimentos, acusação e defesa dão início aos debates. Cada parte terá uma hora e meia para apresentar os argumentos. Logo depois, caso o Ministério Público decida ir para a réplica, terá mais uma hora disponível. Da mesma forma, a defesa terá uma hora para apresentar os últimos argumentos.
Após, os jurados, numa sala secreta, votam os quesitos sobre o caso. São eles que definem se o réu é culpado ou não pelo crime.
Por fim, cabe ao juiz produzir a sentença. Em caso de condenação, é ele quem faz a dosimetria (definição e cálculo) da pena a ser aplicada.
Bueno chegou a ser preso logo após o crime, mas foi colocado em liberdade na manhã seguinte. Em julho de 2018, ele voltou a ser preso, enquanto estava internado em uma clínica de reabilitação no município de Palmitos, no oeste de Santa Catarina. Em outubro de 2019, ele foi solto novamente pela Justiça, e assim permanece até então.
Além do companheiro da vítima, também foi denunciado outro acusado, na época apontado como responsável por emprestar a arma usada no crime. Mais tarde, esse segundo réu – que negava ter emprestado a arma — conseguiu reverter no Tribunal de Justiça a decisão de enviá-lo a júri.
Zero Hora entrou em contato com o advogado Rodrigo Grecellé Vares, mas não obteve retorno. Em manifestação anterior, a defesa havia afirmado estar pronta para o júri. Confira:
"A defesa está preparada para o júri e confiante no acolhimento da tese pessoal do réu. Estamos, apenas, aguardando o Tribunal de Justiça decidir uma ação proposta pelo Ministério Público contra a decisão da juíza que determinou a retirada de uma prova acusatória".
Débora Cassiane Martins Duarte cresceu em uma casa no bairro Harmonia, em Canoas, na Região Metropolitana, no início dos anos 2000. Enquanto a mãe trabalhava, a menina era cuidada pelas tias e pela avó. Com o tempo, passou a chamar uma tia de "irmã" e a outra de "mãe". Adotou também o sobrenome delas. Tornou-se, por opção e afeto, Débora Forcolén.
Quando engravidou, aos 16 anos, a jovem deixou a casa da avó para viver com o pai do filho, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Em agosto de 2016, tornou-se mãe de um menino. No mês seguinte, completou 17 anos.
Débora conheceu o empresário por um aplicativo de relacionamentos. Poucas semanas depois, Débora se mudou para a casa de Bueno, no bairro Farrapos, na zona norte de Porto Alegre. Algum tempo após, passou a trabalhar como balconista na farmácia da qual ele era sócio.
O filho dela seguiu morando com a avó e o pai, em Novo Hamburgo. A jovem costumava buscá-lo em fins de semana e feriados. Débora sonhava ainda em conseguir um dia alcançar a carreira de modelo e de atriz. Arriscava-se em concursos de beleza. Em fevereiro de 2018, chegou a concorrer ao Miss Canoas.