11/11/2024 | 05:42 | Polícia
Projeto do governo Lula defende empoderamento das polícias federais, inclusive na implementação de um sistema único para coordenar as políticas do setor
Lançada no final de outubro pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública tem causado polêmica nas categorias que atuam no tema.
A proposta, que será enviada ao Congresso Nacional, prevê a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal, a atualização de competências da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a padronização de protocolos, dados e estatísticas sob comando federal.
Algumas propostas até são mais consensuais. É o caso da padronização dos dados. Hoje cada unidade federativa tem o próprio sistema de antecedentes criminais, formatos diversos de boletins de ocorrência e de mandados de prisão, o que resulta em 27 versões diferentes de informações consideradas cruciais. A ideia é realizar a unificação desses dados para um funcionamento mais otimizado do SUSP.
Alguns outros pontos também não são muito controversos. É o caso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que passaria a se chamar Polícia Ostensiva Federal e teria novas funções. Além das rodovias, atuaria nas hidrovias e ferrovias federais, com o policiamento ostensivo na proteção de bens, serviços e instalações federais.
Já a Polícia Federal seria a Polícia Judiciária Federal. Na prática, espelharia o que hoje acontece nos Estados, com a divisão de tarefas existente entre as polícias Militar e Civil estaduais.
A maior resistência vem mesmo quanto a quem comandará o SUSP. A ideia do governo federal é ditar as regras do sistema, influenciando decisivamente as políticas dos Estados para a área de segurança. Seriam criadas normas gerais.
Secretários estaduais de Segurança Pública se posicionam contra essa medida, da forma como ela está. Inclusive o do Rio Grande do Sul, Sandro Caron. Ele diz que, assim como seus colegas, defende a manutenção da autonomia dos Estados para definirem suas políticas para o setor.
— O que é preciso é desburocratizar as decisões e aumentar o valor dos investimentos em segurança. O governo federal já coordena o SUSP. Mas não podemos confundir coordenar com comandar, porque feriria o pacto federativo. Além disso, é preciso endurecer a legislação em alguns pontos e melhorar o controle de fronteiras. — pondera Caron.
Entre as mudanças legais defendidas por Caron e outros secretários está dificultar libertações de criminosos contumazes durante as audiências de custódia e aumentar a pena dos chefes de quadrilha condenados por homicídio.
Um exemplo recente de iniciativa apregoada pelas autoridades estaduais de segurança é dificultar as chamadas "saidinhas" (liberações temporárias de apenados para saírem da cadeia e visitar familiares). Um projeto nesse sentido foi aprovado pelo Congresso este ano.